quinta-feira, 1 de julho de 2010

Para o "eu, hein?"


não nasci na bahia. não vim pra brasília porque meu pai era militar. não conheço alguns membros da minha família. não conheço bem alguns membros do meu corpo. não li crime e castigo. não sei dirigir. não corro no eixão. não entro nos eixos. não dou crédito aos problemas. nunca fui a europa. não prendo o nariz pra mergulhar. não falo ‘você’. não gosto de filme de ficção científica. não acho pelé melhor que maradona. não quis ir a disney quando fiz 15 anos. não sou mãe. minha mãe não é a melhor do mundo. nunca atirei em ninguém. não gosto de segurar jornal. não desfilei no sete de setembro. não jogo tênis. não me responsabilizo pelo que digo, nem pelo que dizem de mim. não sei diferenciar chapinha de alisamento. não pinto as unhas. não tenho unhas. nunca ganhei prêmio nenhum. não quero rir do que ninguém ri. não faço teatro. não comparo preços. não ponho preço em ninguém. não gosto que estranhos me cutuquem enquanto falam comigo. não fui cara-pintada. não seqüestrei embaixador. não me lembro da morte do tancredo. não como rúcula nem sob tortura. nunca pedi um autógrafo. não sei pra onde estamos indo. não vou sozinha. não rezo pedindo nada. não esqueço cheiros. não perco amigos. não acumulo milhas. não sei como entrar pro guinness. não tenho tatuagem. não acho cool ser triste. não sinto saudades do que não vivi. não descobri o que o mundo quer de mim. nunca encontrei nicolas behr numa esquina de brasília.

- parodiando "POETA MARGINAL? EU, HEIN? " de Nicolas Behr

terça-feira, 29 de junho de 2010

1ª pessoa

Fui àquela festa. Conheci alguém que fez um comentário inédito para mim: “Você fala pronunciando todas as sílabas.” Fiquei muda, não sabia o que dizer. Nunca tinha levado uma cantada lingüística! O cara continuou falando sobre suas observações a respeito da minha fala: entonação, pronúncia de “s”, do “r”, expressões de linguagem regional... Enfim, veio a eterna pergunta: “De onde você é?” Essa, sem dúvida, a mais difícil de responder. Já aprendi que não devo responder que não sou de nenhuma cidade, ninguém entende. As cidades é que são minhas, quando eu as quero para mim. As pessoas reagem com ciúmes quando digo isso. Elas querem as cidades só para elas. Não sou de onde nasci, que, aliás, nunca vi. Nasci de uma mãe andarilhante, que não era de onde veio, nem de onde estava. Nasci num lugar, fui registrada em outro. Nenhum lugar me viu crescer, cresci no caminho. Não vivi em nenhum lugar, os lugares onde estive é que vivem em mim, nas minhas lembranças. Falo as línguas que me são faladas, pronuncio como me é pronunciado.
O cara fez cara de que entendeu, com todas as letras.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Maudernidades

Tem aqueles dias em que você não quer se abater, né? O cara tava no dormindo no aeroporto havia uns três dias. Mas, tava de boa. Família, bagagem pelo chão, banho na pia do banheiro, lanchonete sem pão de queijo, senha para fila de embarcar. Nada que tirasse alguém realmente do sério, afinal um vulcão pode entrar mesmo em erupção a qualquer momento, isso é normal, ele dizia! Somos modernos, repetia, temos espaço aéreo! Era absolutamente compreensível que, eventualmente, o espaço aéreo tivesse que ser cedido para uma intempérie, explicava o bonachão. A Natureza não entende dessas coisas de voar de avião e chegar na hora marcada. A Natureza é eterna, não tem sábado, domingo... Daí ele se deu conta: DOMINGO!!! Dia da final do campeonato!!! Decisão do Botafogo!! Caraca!!! Corre pro terminal onde o filho se instalou, aos berros tira o filho do game e acha o link pra ver a transmissão, vibra com essa coisa de tecnologia. Esfrega as mãos e, de repente, se lembra: o chapéu! Filho fica. Atravessa o saguão pulando sobre alemães, espanhóis, ingleses, turcos e chineses em fúria. Pô, já não basta a confusão, ainda vem um maluco esbarrando? -Mulher, cadê o chapéu do fogão? - Que fogão? a gente não trouxe a cozinha! - Não me provoca, meu chapéu da sorte! Hoje tem final! - Cara, acho que despachei os trapos na mala grande, só fiquei com o que a gente ir ter coragem de usar em público! - Não sacaneia, você sabe que o botafogo só ganha quando eu visto o chapéu da sorte! - Muito me admira você, Paulinho! Diz que não acredita em Deus, mas acredita num chapéu! -Paulinho, não! Paulão! Jogão! Finalzão! Fogão! De-ci-são! - Mãe, chapéu tem barba quinem deus? O cara olha pra filhinha rosada e bochechuda, brincando no chão de mármore, pensa que ela é lindinha como o papai, mas tinha que ter puxado a inteligência da mãe? De repente a visão! A estrelinha negra na cabeça do ursinho de pelúcia!! AH, isso é que é vida! Chapéu na cabeça, volta ouvindo os xingamentos em todas as línguas e fica na frente do monitor pra comemorar mais um título! A mulher, entre sem graça e afoita, se dá ao trabalho de explicar meio em inglês, meio em espanhol, com toques de francês- italianado, que aquele cara rebolando, arrebitando a pança, chacoalhando os ombros, levantando e abaixando os braços é um nativo de uma tribo sulamericana que está ensinado um rito para o filho, na esperança de fazer mover os ventos. Horas depois, liberados os vôos, a aeromoça pousa sobre a barriga do senhor com sorriso de criança, o chapeú que lhe caíra das mãos enquanto dormia, extenuado, ao lado da família a caminho de uma terra sem viulcões, sem terremotos, sem tsunamis e com o melhor futebol do mundo! Êta, dancinha poderosa!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pesadelos


Da série Confissões

Normalmente, não sonho. Dizem que se sonha todos os dias, mas nem sempre restam lembranças. Não sei. Acho que sonho pouco. Dos sonhos bonitos, lembro alguns. Há os emocionantes, também. O que não esqueço são os pesadelos. Por que é que a gente tem de lembrar mais o que é ruim?

Com o trânsito, por exemplo, tenho pesadelos constantes. Vejo-me dirigindo, agarrada ao volante, perseguida por outros carros em alta velocidade. Só sei que tenho de pisar fundo e fugir. Parece aquele jogo de videogame que simula uma pista de corrida. Tenho horror àquilo, não jogo nem sob tortura. Acordo assustada e, de vez em quando, tenho a mesma sensação quando estou na rua de verdade.

Outro pesadelo é acordar no meio da noite achando que estou deitada em água. Desperto apalpando o colchão. Comecei a ter esse sonho desde que me mudei para Natal. Talvez porque nunca tenha visto tanta umidade na minha vida. Sou bicho de cerrado, terra seca. O inverno aqui é de chuva por três ou quatro meses. Então, às vezes tenho esse sonho: estou de novo no porão da Polícia Federal, onde fiquei presa por 24 horas, numa cela com uma cama de alvenaria, contígua à parede e pintada com tinta a óleo.

Sem cobertura, colchonete ou manta, era fria como o diabo. Com o chão inundado, o que esfriava ainda mais o ambiente, passei a noite sobre a tal cama de tijolo, acocorada, com medo de pôr os pés no chão por conta dos insetos que infestavam o local. Pois eu acordo com a impressão de que estou naquela celinha alagada. Tenho de tatear ao redor até perceber que estou na minha cama, seca e limpa.

Mas o pior de todos os sonhos é com insetos. Especificamente baratas. Tenho fobia a esse bicho. Aliás, horror a qualquer bicho, mas essa coisa pré-histórica é de arrepiar, de se jogar pela janela. Por conta desse maldito animal, nem consegui ler direito A Metamorfose, do Kafka. Eu começava a leitura e tinha engulhos, foi uma dificuldade. Nos meus pesadelos, vou à cozinha ou a outro cômodo da casa e encontro uma barata imensa. E ela, parada, começa a crescer até ficar do tamanho de um urso. É de acordar gritando.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Por um dia
queria
que todos acordassem
e estivessem falando
em português,
só um cadinho.
E para abusar
poderiam cantarolar
uma música da terrinha.

Só mesmo as aulas de francês
para relembrar o gênero, o número e o grau.
Eita, banzo!
Um ano e um mês!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Boa e má novas,

Boa: boíssima pra mim, vimos, eu e Piti, Jhonny Winter, acabadinho que só, em Ceilândia. Valéria entende (Ferrock)? Caetana entende? Quem?
Má: maíssima pra mim, morreu Ronnie James Dio. Lídia, Carlinha lá dos confins, entendem? Caetana, mais uma vez?
Aproveito pra provocar: como vão seus ídolos? Anas Claudias fora, quem/quais são seus ídolos?

PS: EU TENHO A SENHAAAAAAAA!
(Rinoceros, ontem)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pisando nos próprios calcanhares

Eram os sapatos, tenho certeza. A cor marrom-chocolate, ou o bico meio Mary Poppins. As crianças se sentiam atraídas, se aproximavam, ficavam por perto. Foram os sapatos que me trouxeram as crianças. Do alto dos saltos eu me fazia palhaça, amarrada nos cadarços, me achando no topo do mundo. Depois veio um cara. Por medidas econômicas, se instalou na minha casa. Encheu tudo de verniz. Arrasta as sandálias de prata, arrasta sem parar. E, então, eu me achava feliz. Daí vieram as havaianas. Subi nas tamancas. Saí descalça. Foram-se os sapatos, ficaram os caminhos. Tomei meu rumo. Eu era outra. Outra vez.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Não sei dizer quando foi que a menina me apareceu. No abacateiro que vejo da minha janela, ela ficava pendurada. As pernas balançando, os olhos pra lá e pra cá, o sorriso aberto. Eu tentava imaginar o que ela imaginava, tentava adivinhar o que fazia seu sorriso se abrir. Tão grande. Mas ela não respondia o que eu não perguntava.
Quando ela sumia, alguma coisa ficava na minha janela. Uma foto. Uma flor. Uma faca suja de cobertura de bolo. Eu não me incomodava de limpar, de guardar as coisas. O que me incomodava era não tê-la por perto, não ver os abacates escapando de suas mãos, não registrar o seu riso pra poder levar comigo em mais um dia.
A menina era uma lembrança, uma conquista, uma página virada e um desafio. A menina era a menina e era eu. Não sei dizer quando desapareci.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu vou voltar pra Cantareira

Cidadãs do mundo e cidadãos infiltrados: Glauco hoje morreu, ou melhor, foi matado. Acompanhando hoje as notícias pela internet, notei como a repercussão em BSB foi praticamente nula, enquanto a parte que eu gosto de Sampa chorava sem freios. Engraçado isso, Arruda preso pra paulista é curiosidade, aqui é o destino das nossas vidas, ou algo do tipo.


São fatos distintos, ainda mais que o caso Glauco parece ter desdobramentos místicos. Não conhecia essa faceta dele, de missionário do Daime ou algo similar. Para mim ele tinha a cara do Geraldão, assim como o Laerte e o Angeli eram a cara de seus personagens, muitas vezes anônimos. Conheci, portanto, o artista, não o homem.


Artista? Conversávamos, eu e a Piti, há pouco, “como pode um cara desses fundar uma igreja”? Mesmo o anti-desenho dele parecia querer negar qualquer pretensão à arte. Quando soube que ele tinha sido vítima de uma “tentativa de assalto”, achei irônico, como se ele tivesse sido morto pelo Faquinha, um dos seus últimos personagens.


Faquinha era um moleque de rua, cheirador de cola e outros trecos, vendia orégano pra plaiyboizada, assaltava de trabucão em mãos, essas coisas. Era como se o Glauco tivesse encontrado o Faquinha cara a cara e, “mano, sem perdão”, tá ligado?! Mas parece que a coisa é mais complexa, a vítima conhecia o carrasco – sem contar que o filho de Glauco, anônimo frente à pouca expressividade do pai, também dançou.


Sem conclusões, sem moralismos, cada qual com seu Daime, afinal. Mas o que eu queria dizer é que a morte do quase anônimo cartunista (pelo menos para os brasilienses, às voltas com questões mais graves), me tocou. “Tocou”, só? Acho que sim, tenho especulado, achado que a morte das pessoas, as mais próximas, nos choca principalmente porque fala da nossa própria morte.


E vocês, conheceram o Glauco?

(Assinado: Rinoceronte pulando a cerca.)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mostra de filme japonês "Cool Japan" no CCBB

(Always – Sanchome no yuhi, Japão, 2005)
Centro Cultural Banco do Brasil

13 anos após o fim da 2ª Guerra Mundial, um grupo de moradores de uma pequena vila no centro de Tóquio leva suas vidas de maneira simples, tendo a construção da Tokyo Tower e a modernização da capital do Japão como pano de fundo para tragédias pessoais que formam o enredo desse belo filme. A chegada de itens de consumo como a Coca Cola, a Televisão e outros eletrodomésticos são abordados de forma poética, como na cena em que todos os vizinhos da rua se reúnem na oficina do Sr. Suzuki para assistir, pela primeira vez, a uma transmissão de tv, por acaso, um torneio de luta-livre. Quem viveu os anos 60, como eu, em vilas no interior do Brasil, vai, certamente, relembrar momentos idênticos.
O filme começa com a chegada da jovem Mutsuko à cidade, atraída por um anúncio de emprego feito pela “Empresa de Automóveis Sukuki”. Mas a jovem tem suas expectativas frustradas ao perceber que a tal empresa era, na verdade, a oficina de carros do Sr. Norifumi Suzuki, nem por isso deixa de representar a esperança de prosperidade dos novos tempos. Em frente à oficina, há uma pequena papelaria de propriedade do escritor e professor de Literatura Chagasawa Ryunosuke, que passa os dias escrevendo revistas em quadrinhos e participando, sem sucesso, de diversos concursos de literatura. Todas as noites, os homens da pequena vila reúnem-se na bodega da bela Hiromi Ishizaki, uma ex-dançarina que atende a todos com atenção, alegria e um toque de flerte, por quem o escritor Ryunosuke é apaixonado. Hiromi é uma bela mulher que, é surpreendida por uma criança abandonada por uma ex colega de profissão . É o pequeno Junosuke , um menino de 7 anos, tímido e franzino. Hiromi não tem condições de cuidar de Jun, então pede que Chagasawa o leve para viver em sua pequena e desorganizada papelaria. O escritor reluta, mas aceita a missão para impressionar Hiromi. Aos poucos, uma relação de carinho e aprendizado mútuos faz com que o escritor crie um amor paternal pelo pequeno Jun. Um dos pontos altos da trama acontece quando, a pedido de Chegasawa, o Dr. Takuma – um médico que é chamado por “Dr. Diabo” pelas crianças da vila – veste-se de Papai Noel para entregar um presente ao menino. Após uma bebedeira, Takuma volta para sua casa e é recebido carinhosamente por sua esposa e sua pequena filha. Infelizmente, tudo não passa de um sonho, interrompido por um policial que encontra Dr. Takuma caído na rua. Na verdade, o médico havia perdido esposa e filha na guerra.
O filme termina com a ida de Mutsuko de férias à sua terra, e com a Torre de Tóquio já totalmente erguida, anunciando novos tempos num Japão que respirava ares de prosperidade.
Merecedor de muitos prêmios pela fotografia, pela música, pelo roteiro e argumento, o filme encanta por retratar com sensibilidade e humor a realidade dramática do cotidiano pós guerra.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sonho

Finalmente o cara lembrava claramente de um sonho. Quase um ano depois de iniciada a psicanálise, trezentas e trinta sessões depois daquela em que a analista recomendou-lhe escrever o que sonhava, ele se lembrava claramente de um sonho! Já estava começando a ficar deprimido com a incompetência da própria memória. De primeiro achou que era incapaz de sonhar, depois reparou que sonhava, sim, pois os sonhos foram ficando intensos, mas sempre confusos. No entanto, nunca se lembrava deles quando acordava e a analista na pressão. Chegou a brigar com ela, pô! Estava na análise por pressão da mulher, que impôs essa condição para voltar com ele, depois de uma separação em que ele tentou comer todo mundo mas, sabeláoque deu nessa mulherada de hoje, só conseguiu ouvir coisas do tipo" você até é bonitinho mas, uma mulher bêbada, como eu, vale por dez, já um homem bêbado, do jeito que você está, não vale nada!" Maldito feminismo! Acabou voltando com a ex sem ter comido ninguém nos seis meses de "soltura". Vá lá, acabou fazendo análise com aquela gostosa que fazia questão de usar só saias e se limitava a perguntar: " e o que você pensa disso?" não fosse efetivamente ter parado de beber já teria largado a terapia... e, agora, comemorava, louco para contar e perguntar o que ela achava disso. Afinal, lembrava-se claramente de ter sonhado com um outdoor verde, com letras garrafais, onde se lia: " A PELE PEIDA".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

poeminha besta procurando nome


gargalho


e o meu riso
então
é cheio do teu corpo

e nele fica.


e a cada momento em que teu corpo te chamar
lá vai estar, lá sentirás
a minha mão
pelas tuas costas deslizando
como uma lembrança líquida
deslizando.

uma memória nova,
viva e desprendida

uma memória
que cria pernas e sai por aí
quando, a distância,
o riso lhe sopra mais uma vez.


chove sempre sobre mim

diálogos (im)possíveis II - Jaana e o deverzinho

eu: oie, xuxu
tudo bem?
jaanafernandes: oooiiii
tudoooo
fazendo tarefa de casa, acredita :(
eu: acredito
rs rs rs
jaanafernandes: 3:48 da madruga :P
eu: caralho
jaanafernandes: quer me ajudar?
eu: 'bora
diga aí o que é
rs rs
quando é que tu vais arranjar um tempo
pra atualizar aquela porcaria de blog??
jaanafernandes: afff
vou terceirizar o serviço!
faz isso pra mim
eu: kkkkkkkkkkkkkkk
jaanafernandes: eu te conto tudo mesmo... tu pode só escrever e colocar lá
haha
eu: tá... então vai contando aí
jaanafernandes: por telefoneeeeee
agora tenho que terminar meu deverzinho..
tenho que postar no blog do curso ontem
mas como eu não dormi ainda, ontem é hoje
eu: e o quintal? nunca mais entrou?
jaanafernandes: vou postar esse dever que tô fazendo agora no meu blog tb, hahaha, e no quintal
eu: nem viu o boneco de neve da carlinha?
jaanafernandes: hahahaha
vou ver, hahah
eu: rs sr sr ss
jaanafernandes: xuxu!!!
eu: quanto? quanto?
rs rs
jaanafernandes: quanto o que, mulher?
eu: não viu a mensagem que coloquei?
do lado do meu nome
jaanafernandes: que mensagem?
eu: rs
jaanafernandes: é que tô usando o chat fora do meu email...
eu: peraí que vou copiar
"Jaana quer terceirizar serviço... vou ganhar quanto pra escrever no blog da doutora??"
jaanafernandes: hahahahahhahahahahahahhahahahha
vai ganhar trabalho!
eu: e dor de cabeça
kkkkkkkkkkkkk
jaanafernandes: nada de pagamento em dolar, hehe
eu: pode ser em real mesmo
tem problema não
jaanafernandes: qual é o oposto de virtude???
vício???
eu: pode ser
mas não necessariamente
jaanafernandes: afff
vou otar qquer coisa aqui
eu: otar?
desaprendeu português já?
Enviado às 10:10 de terça-feira
jaanafernandes: hahahah
ei, vou dormir
BEIJÃO!!!!
eu: kkkkkkkkkkkkk
boa noite!
beijoca
jaanafernandes: bom dia, haha

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

diálogos (im)possíveis

eu: e aí, pessoa?!
feliz ano novo, né?
Valeria: feliz, né?
eu: tudo tranquilo?
Valeria: normal. fez boa viagem?
lembra da cylene?
eu: caetana me contou
ainda tá na uti?
Valeria: semi-intensiva agora
a irmã médica acompanhando
já se alimentando
eu: cara, ela ficou mesmo 4 dias em casa?
apagada?
Valeria: foi
eu: caraca
Valeria: não sei quem encontrou
eu: baiana arretada
se fosse eu
tinha morrido no primeiro dia
rs
Valeria: kkkkkkkkkkkkkk
é a segunda q tenho notícias assim neste meês
a outra foi uma colega da faculdade
a família viajou
a faxineira achou três dias depois
não podemos esquecer de manter faxineiras
eu: kkkkkkkkkkk
Valeria: sério
meu pai teve um troço desses numa noite
ficou ao relento até o jardineiro chegar no outro dia
eu: se o jardineiro não chegasse
logo o jardim estaria bem adubado
kkkkkkkkkkk
Valeria: kkkkkkkkkkk
eu: kkkkkkkk
Valeria: a gente se vê sábado na bianca?
eu: acho que sim
o troca-troca da bianca
podia não ser de roupa, né?
rs rs rs r
Valeria: kkkkkkkkkkkkkkk
podemos trocar de ar, né?
te dou minha cota de gás carbônico
só não quero enxofre de volta
kkkkkkkkkkkk
eu: kkkkkkkkkkkkkkk
podia ser de homem
ou algo parecido
Valeria: ai eu fico em desvantagem, né?
o que eu poderia oferecer? só conheço banana
eu: kkkkkkkkkkkkkkk
ofereça o miguel
pro futuro
Valeria: 1/6 de homem
eu: "quem poupa, tem"
Valeria: eu não poupei nenhum
esfolei todos
eu: kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkk
eu esfolo tb
mas depois faço carinho
Enviado às 17:02 de quinta-feira
eu: "Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro."
nelson rodrigues
...vou mandar essa pro haddad no final do ano
rs rs rr ss
Valeria: kkkkkkkkkkkkkkkkkk
vou nessa
tem fila no laboratório
eu: beleza
Valeria: a gente se vê
eu: acho que vou colar essa conversa no quintal
rs srr s
o que achas?
Valeria: rs
pagando o depósito de direito autoral...
kkkkkkkkkkkk
eu: afffffffffee
declinarei
rsrsrs rs rs

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

My first Snowman - o filme (kkkk)

Lembrei sabe de quem?


My first Snowman


Estava eu cá na(s) Inglaterra(s), estudando o idioma da terrinha e vez e outra olhava para o quintal de casa transformado pela paisagem branca.

A alvura da neve dava um sentimento de vazio no meu quintal.

Daí tive uma ideia, ou melhor, agi!! Coloquei botas, casaco, boina e cachecol e lá fui eu, sem me importar com o zero grau Celsius, construir o meu primeiro boneco de neve.

Mesmo sob uma snowfall eu estava a me empenhar com uma pá pequena de plástico na modelagem do gelo. Com o trabalho nem senti frio.

Bem, graças as correntes frias vindas da Escandinava e da Rússia criei meu bonequinho bunitinho, com direito a chapéu de vaso, nariz de cenoura e braços de galhos.

Voilá! Pari meu snowman! Criei meu Frank!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

p-a-l-a-v-r-a


Fomos condenados à palavra e ela a nós.


A palavra nasce, cresce, mas não morre (apenas se esconde). A palavra vai à escola, senta no banco da indiferença e escolhe quem vai sentar ao seu lado. A palavra não pode ser reprovada e, mesmo não dita, se agiganta para cima de qualquer um que queira ser seu professor.

A palavra morde quem tenta aprisioná-la, arranca-lhe um dedo e lhe transmite a famosa tosse vocabular, aquela que faz com que o cidadão cuspa seguidas palavras que se repelem, como em “quando o grito do prazer açoitar o ar, reveillon”, resultado de uma crise aguda de um tal Djavan. Tem cura, entretanto, a palavra. Não a tosse.

Uma amizade desinteressada com a palavra tem chance de funcionar. Assim então a palavra se deixa flexionar a vontade, se multiplica, forma família, se conjuga que é uma beleza. Mas tudo sem pressa, que a palavra demorou para chegar onde está e teme se perder na boca de qualquer um. Não quer ser um mero morfema.

Drummond queria a palavra "dentro da qual vivêssemos todos em comunhão, mudos, saboreando-a". Não desconfiava ele que a palavra não quer ser comida em suas entranhas, não aceita parasitas da palavra. Deseja ser saboreada sim, mas por fora, por diferentes línguas em cada uma de suas letras, emudecendo os que não foram convidados para o banquete da palavra.

"Tomai, todos, e comei: Isto é a palavra que será entregue por vós".