quarta-feira, 22 de novembro de 2006















...é incrível como nossa curiosidade, necessidade de conhecer, compreender e, às vezes, vontade de melhorar nos leva a fazer coisas inimagináveis e a buscar dominar terrenos até então inexistentes. Estou gostando muito da academia! Estou adorando estudar sobre alimentação, engordar, anorexia, e coisas e tal. Algo tão cotidiano, alimentar-se.Coisa tão estranha,
comer...

Hoje

Hoje estou decidida, vou contar tudo sobre mim.
Uso águas de colônia baratas e cervejas caras. Tenho um par de sapatos modernos, de prata azulada, que calço para ir ao mercado todos os dias e à Lua quando dá tempo.
Odeio fícus podados – coitados, tenho dó. Acho árvore mais bonito do que flor. As de Campo Grande são lindas, copadas, cheias, verdinhas. Algumas regiões da cidade, vistas do alto (mas não muito), assemelham-se à imagem que as crianças fazem das nuvens. Parecem chumaços de algodão verde. Tenho a impressão de que se pode sair pulando sobre as elas. Disso me veio a idéia de elaborar um livro infantil, já publicado, mas nunca escrito.
As melhores coisas de Campo Grande são suas árvores e minhas mãos. Tenho unhas ridículas: minúsculas e arrebitadas, que mantenho curtas e lixadas, mas sonho em ter enormes e vermelhas. Quando você me vir na rua, será impossível que eu não o reconheça.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

E por falar em cruzar...

Já que o assunto é cruzamento, trago para nosso quintal uma outra perspectiva do assunto. Menos sexual, com certeza, o que provavelmente espantará todos. Convido, então, Alice Ruiz...

Se
se por acaso

a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra
eu ia tirar de ouvido

todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso

ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio
daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...

Verídico ou não, lá vai

Cartilha Contra a Libertinagem Sexual da Igreja Universal do Reino de Deus


Posição de quatro
É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira, fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Opa! Reparem que é o homem que terá sua alma amaldiçoada. Mulherada, relax!!


Sexo Oral
O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher engolindo o sêmen não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.

Opa de novo! Como é que essa história de que engolir sêmen serve de método anticoncepcional ainda não foi amplamente divulgada?? Pô, tô gastando 30 pilas por mês a toa?!
Outra coisinha: os caras não sacam nada da anatomia humana, né? Não sabem que a língua é o músculo mais potente do nosso corpo? Pro cidadão ficar com dor na língua tem que passar, no mínimo, 48 horas chupando.


Sexo Anal (Sodomia)
O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existe ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomisa ou é sodomisada ela se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno.

Ôôôôôôô! Ratos, baratas e mendigos?! Que imaginação que esses caras têm, hein? Mó pervertidos! Nunca vi disso... nem em filme pornô.


Vejam a maneira certa de se relacionar sexualmente com sua parceira, segundo a cartilha:

Posição Recomendada
O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma distância pois a fêmea deve estar orando aos santos para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual, os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência... o açoite com vara de bambu é aceito em forma de purificação.


Ok! Agora, ao invés de levar uma camisinha na bolsa ou na carteira, andaremos com uma 'lancheira' recheada de 1 litro de água, vinagre e sal grosso – afinal, nunca se sabe quando pode rolar uma oração por aí com alguém...
Mas que a perversão come solta nessa cartilha, ninguém pode negar: primeiro foram os bichos escrotos e os mendigos; e dessa vez é a vara de bambu! Tô dizendo... ainda temos muito o que aprender com esse povo da igreja.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Pra dar risada



Essas e outras tiras estão em http://ubbibr.fotolog.com/liniers_macanudo/
Quase todo dia tem uma nova. Vale a pena.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Sexta é dia de


Recebi, há alguns meses, um e-mail com essa e outras imagens que representam 'ao pé da letra' expressões idiomáticas reveladoras da inteligência e do humor brasileiros. Agora descobri que elas fazem parte do livro Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas (editora DBA, 2004), dos fotógrafos Everton Ballardin e Marcelo Zocchio, e estiveram expostas numa mostra em Salvador. Será que passou por Brasília e eu não fiquei sabendo??
Outro que já brincou com os ditos populares foi Mario Prata, em Mas será o Benedito? (Globo, 1996), livro no qual o escritor faz uma análise muito bem humorada e sem qualquer rigor histórico de mais de 400 provérbios e expressões do nosso país. Dêem uma olhada no verbete que dá nome ao livro:

mas será o Benedito?

SIGNIFICATIVO:

Expressão de espanto diante de determinada situação.

HISTÓRICO:

Era uma vez dois compadres do interior. Benedito, casado com Rosinha, e Oswaldo, solteiro. Oswaldo vivia de olho em Rosinha. Um dia Benedito foi viajar para a cidade. Toca o Oswaldo a cantar a Rosinha, na casa dela. Depois de muito assédio e sedução, Rosinha concorda, mas resolve tomar um banho antes, porque está um calor danado. Oswaldo vai para o quarto do casal e fica completamente nu. Nisso, Benedito volta. Oswaldo ouve barulho na sala e pensa: "Mas será o Benedito?" Era. Benedito entra no quarto, vê o compadre completamente nu e pergunta:

- Mas, cumpadre, o que qui ocê tá fazeno na minha cama, cumpadre?

- Sabe o que é, Benedito? Tava lá em casa, sozinho, acabrunhado, sem saber o que fazer, esse calorão danado, pensei: vou lá na casa do Benedito dá o cu pra ele.



Mas o "molhar o biscoito" aí de cima, eu não encontrei... Se alguém souber a explicação científia ou a origem histórica da expressão, por favor, conte!

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A apresentação que não foi feita

Mariana Cíntia de Los Rincones: Uma quase-balzaquiana. Mineira. Psicóloga. Quando bebe, no lugar da coluna vertebral coloca uma vara de pescar – enverga, mas não quebra. Foi batizada com esse simpático nome após uma participação especial numa pseudo-virtual-novela chicana.

Jaana
: A cearense mais branquela do planeta. Faz mestrado e especialização e ainda encontra tempo para dar seus gritinhos nos ouvidos castigados dos amigos. Não sabe diferenciar maconha de Gudan Garan.

Cae: Nossa goiana já foi oboísta (“obo o que??” Não me perguntem! Corram até o dicionário e enriqueçam seu palavrório). Quem a vê no trabalho, jura que ela é séria – o que não contradigo para não sofrer represálias em casa (vá que ela não me deixe mais comer granola...).

Esperando Godot
: Naturalmente brasiliense. Dança, canta, representa, toca pandeiro, assovia e chupa cana. Não necessariamente nessa ordem. Não sei porquê foi estudar na Unicamp, mas já se deu conta da bobagem e agora está na UnB.

Ana Silva: A mulher da terra da mandioca. Jornalista, militante política e amante de Chico Buarque. Acho que não deveria contar que ela está pagando pena alternativa por crime eleitoral, não é? Fora isso, posso garantir que ela é do bem. Preguiçosa, mas do bem.

Valéria: Mais nova vó da paróquia (o Miguel que se prepare!). Uma quase-brasiliense, quase-louca, quase-tudo. Já morou em Florianópolis e sobreviveu à maresia e ao mofo com grande bravura. Como seqüela, ficaram apenas algumas bolhas dentro da cabeça.

Lídia
: Essa que vos escreve, finalmente, depois de três meses. Manezinha da Ilha no Planalto Central há um ano e meio. Roedora compulsiva de unhas. Muitos dizem que sou grossa, mas na verdade sou um poço de ternura.

Não creio

Caralhoooooooooooo! Consegui entrar!!

(Será que é verdade?!)


Agora que tô aqui, vamos às reivindicações: Quintal improdutivo não dá! Ou todo mundo começa a plantar suas palavras por aqui ou o MSB (Movimento dos Sem Blog) vai tomar conta dessa terrinha.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Saudade da Filosofia

Álvaro de Campos
Ah, Perante
Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
— Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena... se transforma em outra coisa —
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Urna coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
—Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!

Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstrato
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!

Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?

Ah, não, nenhuma — nem morte, nem vida, nem Deus!
Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
Porque é preciso existir para se criar tudo,
E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.

sábado, 14 de outubro de 2006

Cuidem do jardim enquanto isso...

Olá, queridas meninas jardineiras!

Às vezes, é preciso sair do quintal. No meu caso, diria que é necessário, pois é chamado de um tal Gaitero que não só trouxe música como também adubo. Então, aqui vou eu... Cultivar flores em outros espaços!

segunda-feira, 9 de outubro de 2006






Pois é... pelo sim pelo não... antes o menos pior!


Sou contra vender o Brasil, simplesmente.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Flor de outro quintal

Roubei uma flor de outro quintal. Acho que o dono não vai se importar, não havia cercas mesmo.
Planto aqui porque me encantou e me traduziu:
"Se eu escrevesse o meu dia aqui hoje, ninguém acreditaria mesmo... "
(do blog Despropósitos / http://web.pitas.com/puella/jul_ago.html)

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Ai ai se existe um lugar mais lindo do mundo, com certeza, é os lençóis maranhenses. Aquela imensidão de maravihosas dunas branquinhas que acariciam o pé, aquele ventinho que faz o sol ficar tão gostoso, aquelas lagoas, incrivelmente azuis, de água doce doce e límpida... e as aves, ai as aves, com certeza o paraíso na terra, ainda por cima rodeado pelo povo mais interessante e simpático de nosso país, desculpem-me os demais: os maranhenses. Eita povo calaroso! Gente hospitaleira, com muito saber e uma cultura incrível. Sem xenofobismo, foi bom ver que ainda é um lugar que os brasileiros podem ir e vão, que são a maioria no mar de gringos que virou o nordeste. Vendemos o Brasil, sem nos darmos conta.
Isso sem falar no estoenteante rio preguiças com suas jussaras, carnaúbas, buritis... seu mangue, seus jacarés... E disso tudo, um artesanato mais lindo, natural criativo e produto de muito técnica! quem num foi ainda, tem que ir, pra já!!!

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Hora de cuidar do quintal

Olá, meninas! O que aconteceu que não as encontro mais por essas bandas? Sei que quase todas (inclusive eu, cansada de só esperar!) visitaram outros quintais.

Além de saudadosa, estou curiosa. Contemos os detalhes desses ares distantes e estajamos prepadas para por tudo em (des)ordem por aqui.

Espero aqui no balanço...

TRAJETOS

Hoje me vesti pra te encontrar
Pra você me encontrar
nos trajes de uma brasília

O céu escolheu o lilás
Os prédios – quase todos de 6 andares – decidiram pelo jeans
claro, surrado e quase fora de moda
O adorno no cabelo foi puro capricho das flores do cerrado
Os pés levemente descalços...
simples necessidade de pisar firme e não ultrapassar seus olhos nem meio centímetro

Dia inteiro, desencontros.

Resolvi, então, despir-me pra conseguir te alcançar.
A cada peça percorri mil cento e quinze quilômetros
E São Paulo não chegava nunca.