quarta-feira, 27 de junho de 2012

Contabilidade das coisas que não se contam e nem dizemos por aí


Entre 2002 e 2012
Trabalhei em 4 lugares, 2 eram escolas. Todos na/sobre educação.
Conclui 2 mestrados, um infeliz e o outro um triunfo estrangeiro.
Fui a 1 funeral de um amigo de um amigo.
Estive em 4 casamentos como convidada, entre esses em 1 fui madrinha.
Terminei 1 casamento e iniciei outro.
Tive por 2 vezes câncer de mama (2005 e 2012). Agora sou bilateral, sem trocadilhos.
Foram 7 cirurgias, 5 com anestesia geral. 2 levaram 4 horas para finalizar.

Entretanto,
Infinito foi e é a Finita VIDA.
 

No lema de "Keep calm e segue reto toda vida"


ao invés de negação - enfrentamento
de sofrimento - conhecimento
de resignação - perseverança
de medo - coragem e força
de guerra - paz e tranquilidade
de desespero - equilíbrio
de correr - andar
de superficialidade - para o que importa mesmo
de pessoas - amigosAnjos
de lamúrias - entusiasmo

no final, temos prazo de validade.
às vezes temos tempo para um recall
e inicíamos tudo de novo,
diferente, porém.

em Lewes/East Sussex/Ing
28/04/2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sapato 36 e as goiabas de Eduardo

A pessoa aqui hoje estava ouvindo Sapato 36 e sacou que não sabe respeitar totalmente a vontade dos outros. Merda de hábito que tenho de achar que posso me meter nas escolhas alheias! Sei que, como muita gente, não faço isso por mal, mas um bem também não é... afinal, se alguém quiser minha opinião, vai pedir. Bem simples de entender, mas difícil de lembrar no dia-a-dia. Um exemplo: estava com o namorado no mercado comprando comidinhas para acompanhar uma sessão de cinema em casa e ele falou que iria pegar umas goiabas. Gosta muito de goiaba, o namorado. Já sei disso há um bom tempo, mas mesmo assim perguntei: Por que tu não pegas outra fruta?? Ele se virou com uma leve cara de emputecimento: Oxi, me deixa pegar minha goiaba! Eu realmente não tenho nada a ver com as frutas que as pessoas querem comer, nem com o que elas resolvem estudar, nem se elas querem mudar de emprego, mudar a cor do cabelo, mudar de cidade, comprar um carro novo, um carro velho, um skate. Escolhas só precisam de opiniões quando há dúvidas e, definitivamente, o namorado não tem dúvidas em relação às goiabas. Vou tentar me convencer disso todos os dias.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

sábado, 17 de março de 2012

A casa de cor distinta

Era a casa da cidade que morreu e esqueceram de enterrá-la,
alguns diziam.
Todavia, apesar do aparente silêncio havia vida ali.

E na casa de cor distinta moravam sonhos, desejos, angústias, tristezas, alegrias, aventuras.
E nessa casa da chave impressa na parede como uma tatuagem viviam
a porta indecisa,
a porta que nunca fechava,
a porta que preferia ficar aberta,
a porta da fantasia,
a porta das tormentas,
a porta da calmaria,
a porta do silêncio.
Já a porta tímida era comum a todas as casas independente de suas cores.

E no seu 'jardim secreto' perto do 'labirinto do fauno' há anos vive uma macieira que quer atingir o céu.
Para alguns ela deveria ter forma de um bonsai.
Para outros, como 'o jardineiro fiel' esse é o desejo dela e por seguinte seu destino.
"Agora é tarde para mudá-la. Macieira é macieira. Crescendo ao natural e ponto final."

E assim na casa de cor distinta
a chave tatuada continuará lá.
A porta indecisa talvez um dia deixará essa sua particularidade.
A macieira crescerá até onde tiver forças.
E a cidade "morta" permanecerá com seus fantasmas.

Contudo, haverá sempre
chaves,
portas,
macieiras,
cidades
e suas idiossincrasias atrativas.

CD - 10/03/2012

Dança nos Olimpos

Aquela que me pediu em casamento - Atenas.
Aquele que "morri" de amores juvenis - Marte.
Aquele que me fazia pensar diferente - Urano.
Aquele que cantava para mim - Mercúrio.
Aquele que eu pedi em casamento - Poseidon.
Aquela que pensava em ter filhos comigo - Hera.
Aquele que disse que a maternidade seria linda - Saturno.
Aquela que eu digo que eu amo - Vênus.
Aquele que me fez sentir o maior gozo - Ares.
Aquele que eu desejava - Apolo.
Aquele que me controla - Zeus.

e eu era jovem demais.
e desencantou.
e eu não o entendia.
e me agrediu.
e "não soube me amar".
e nós brigávamos.
e ficou no imaginário.
e despreza esse amor.
e era apenas uma brincadeira passageira.
e me rejeitou.
e eu me agonio; e quero dançar.

Amo e amei todos.

CD - 02/07/2011

terça-feira, 13 de março de 2012

de neruda para cada Pablo nuestro

"CUERPO DE MUJER"

PABLO NERUDA

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Calle 13

Os porto-riquenhos do Calle 13 ganharam ontem nove dos dez prêmios aos quais concorriam no Grammy Latino, recorde da história da premiação, e eu nunca tinha ouvido nada dos caras... Mas, pra recuperar o tempo perdido, me esbaldei nesse almoço de sexta! Disfrútenlo!













terça-feira, 1 de novembro de 2011

E eis que ontem, caminhando da rodoviária para casa, dando uns tropeços como me é de costume, lembrei de alguém do trabalho falando que sou isso e que sou aquilo. Alguém que me conheceu há poucos dias pode acreditar que já tem boas definições sobre mim? Nada contra quem gosta de definições - há quem se sinta seguro dessa forma -, mas eu não sou capaz de dizer o que sou ou quem sou. Prefiro o verbo "estar":  estou tranquila, estou estudando, estou feliz, estou namorando, estou saudável, estou trabalhando, estou viajando, estou viva. Não é falta de constância, é só a percepção de que, por bem ou por mal, para o bem e para o mal, a gente muda. Sei para algumas pessoas isso é ruim, já para mim, ao contrário, é bom para caralho. Minha segurança é a minha leveza.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dueto





Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz

Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz

Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz

Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Uive pra a lua.
Rosne para as injustiças.
Cheire o perfume das flores.
Lambe suas patas, Esfregue-as nos olhos e Acorde pra vida!
Doe-se mais.
Compre menos.
Dance aos rodopios em locais que dizem serem proibidos.
Flutua.
Levite com aquele beijo do ser desejado.
Pule bem alto e Grite até iniciar aquela gargalhada alta
e Caía.
Levante-se.
Dê a mão.
Escute.
Ouça o barulho do córrego
e Veja a folha seca sendo levada pelo rio.
Mergulhe fundo no oceano da vida.
Nade além do muro de concreto.
Encontre o seu 'báu de espantos'
e se Reconheça como aquela criança repleta de sonhos.
Sonhe. Realize-os.
Re-invente sonhos e receitas sem medidor de gramas e sem tempo pra ficarem prontas.
Coma algodão-doce e
Viaje na cauda de um cometa que passe por aí, assim, de vez em quando...
aqui ou acolá nos nossos céus-infernos internos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

ao contrário

Dou as respostas. Vocês fazem as perguntas. Quem quiser, faz o mesmo después.

1. sim
2. 16
3. sim, 3
4. Brasília
5. todos os dias
6. na praia
7. não, dá azar
8. em cima do muro
9. nunca
10. de lado
11. com as duas
12. na rede
13. Lula
14. minha mãe
15. dormir

terça-feira, 7 de junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

apenas uma observação

Se minha vida fosse só um pouco parecida com meus sonhos, já não estaria viva, mas teria muita história para contar no lado de lá...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Meias, para que as quero inteiras....

Durante muito tempo, costumava deitar-me cedo e de meias. Não havia nada que eu pudesse fazer contra os cuidados maternos que recomendavam também um copo de leite morno, já na cama. O gosto do leite substituía o mentolado da pasta de escovar os dentes, contrariando as recomendações odontológicas que só foram surgir muito tempo depois que a tevê tomou nosso jantar. Fora de casa o frio ocupava o espaço que antes era dos corpos de crianças agitadas, recolhidas sempre à mesma hora para o calor dos lares (ou castigava aqueles que não tinham onde se proteger das intempéries – mas esses não eram vistos...). Talvez minha mãe tivesse outro propósito psicológico e pedagogicamente mais adequado para o uso de meias, fato é que até hoje calço meias se quero me sentir segura de que as monstruosidades do mundo não me alcançarão. Enquanto, numa reunião, o chefe se esmera em impropérios para nos fazer crer que somos a corja mais incompetente do mundo, me flagro pensando que, pelo menos, minhas meias são fofinhas e coloridas, e me concentro no desenho delas. Os desenhos e as cores de minhas meias me mantêm longe das calosidades do emprego. Na primeira vez que me permiti ir mais longe do que o sofá na intimidade com um namorado, lá estava eu, de meias, como se isso fosse evitar gravidez, doenças sexualmente transmissíveis ou a simples dor de não ser o que era: prazer. Lembro disso agora, no meio de uma madrugada em que me assola o desejo de fazer um balanço desta vida, já quase cinquentenária. Balanço inútil, uma vez que já não há mais nada a fazer. Ninguém muda o passado. Não tenho mais como pedir sal e limão para temperar os momentos insossos, nem gelo para preencher os vazios que ficaram no meu coração como resultado das noites que passei em vão, estudando e trabalhando para fazer um mundo melhor calçado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

poema de mi professor

MEMORIAS DEL ALTIPLANO
Alfonso Hernández Torres

Despierto
y me quedo con la luz rosada
reflejada sobre los edificios
y el mes de abril
con su renovación y sus cambios.

Conduzco
sobre la línea del asfalto
en el camino sistemático
de todas las mañanas
avances y frenadas, hasta llegar.

Respiro
el aire del tiempo nuevo
que se confunde con do lejano
exotismo y tradiciones
que se pierden entre la gente.

Duermo
entre las nubes del ocaso fugaz
que pinta colores de sueño
y en algún momento
podré ver de nuevo el mar.


in: El Crucero. Camara Brasileira de jovens escritores, Rio de Janeiro, 2010.
www.elmundodelcaleidoscopio.blogspot.com

sexta-feira, 29 de abril de 2011

estudiando

Mis gustos son amarillos y mis desgustos son grises.
Me encanta la gente que mira a los ojos; me gustan los niños sonriendo traviesos; me gusta la música que la lluvia hace con sus cristales que caen del cielo; me encantan las tardes azules perezosas.
No me interesa la gente que no quiere saber del hambre y de la miseria en el mundo. No me gustan los que estan siempre de mal humor. No me gusta nada la gente celosa.
Me encanta la gente humilde, la gente buena y pacífica que convierte en optimismo toda su tristeza. No me gusta nada la gente que tiene el corazón desierto, el pecho cerrado, sin clave. Me gustan aquellos que tienen la miente abierta y no tienen miedo de lo que no se sabe.
Quiero gente que me habla con ternura; prefiero la mansedumbre de las mañanas frias; no me interesa la nostalgia terrible de una vida perdida; me gusta saber lo que viví y también la ilusión do lo que no viví.
Me encanta viajar en los colores del atardecer, cuando el cielo besa la tierra. Me gusta muchísimo la aurora que todos los días me trae un sentimiento de haver nacido otra vez.
Me gusta contemplar al infinito.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Jardins do Brasil

Após temporada trabalhando como artista gráfico em países da África, um jovem retorna à casa da mãe num pequeno município no interior de Goiás. A mãe, obviamente, apela para o que filho fique mais um pouco, tanto tempo sem ele por perto... Mas, o que fazer nessa cidade tão pequena, tão parada, onde nada acontece, onde não há nada a fazer? A mãe insiste: há muito que fazer, as crianças carecem tanto de arte! O filho resolve caminhar pela cidade para ver se acha algo que possa fazer. Nas memórias que restam da infância vivida ali, tem destaque especial as horas passadas na escola estadual. Ainda igual, ainda tanto terreno e nenhum ginásio coberto, uma quadra melhor, ou, quem sabe, um jardim! O filho resolveu ficar mais um tempo. A mãe tinha razão: tanto o que fazer!

A idéia era atraente, a mãe pensou. Mas, este mês já temos tanto a fazer. Talvez no próximo mês...Ia matutando e bordando a cerca com as folhas de uma moita de palmas recém retirada do jardim para dar lugar à uma lona de circo. Resolveu chamar a obra de “palmas para a cerca”. Todos que por ali passavam paravam para admirar o trabalho e manter a arte de prosear. E não é que passou a professora? Agora coordenadora da escola estadual. Plantar um jardim? Ótimo! Com os alunos? Isso! Vamos sim!

Daí pra frente foram só Sins. Os alunos concordaram. A prefeitura providenciou uma capina, um técnico agrícola deu uma palestra, o clube da semente forneceu as mudas, os amigos foram voluntários. Foi feito o desenho em escala no papel quadriculado. No muro da escola foram pintadas as letras e os números das coordenadas que eram “cantadas” para que os alunos fincassem as estacas demarcando o traçado que o trator fez para desenhar as fronteiras do jardim no terreno. Os alunos se subdividiram em grupos responsáveis pelo plantio e o cuidado das mudas. Esta lá: o mapa do Brasil, com mudas representativas dos seus biomas. Os sulcos representando os rios Amazonas, São Francisco e Paraguay serão preenchidos com a água que vai regar o jardim. A água vai ser sem cloro, vinda do poço, puxada por um mecanismo ligado ao parque infantil da escola. A energia das crianças vai irrigar os Jardins do Brasil!