*no quintal de casa cada um faz o que quer. porque esse quintal é grande, do tamanho que a gente fizer. uma rede pra se balançar e balançar os pensamentos ele tem. tem um pé de limão, uma goiabeira, uma porção de plantas e flores e uns cachorros pra bagunçar o coreto. criança e adulto querendo ouvir história também sempre aparecem. e a gente conta. histórias de quintal. *
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Painel de controle
Desfazer das concepções caducas
Limpar e desfragmentar o disco
Scanear a memória a procura de phishing
Deletar arquivos que não fazem mais sentido
Liberar espaço
Derrubar o firewall
Configurar novos aplicativos
Exibir logs de eventos
Upload das relações
Donwload de novas perspectivas
Reiniciar
Re-startar a vida
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
a caminho
Quem precisa andar com documento antigo? Mas o cara saiu do carro, abriu o portamalas, tirou tralha de acampamento, brinquedos, malas de roupas, matula de lanches, tudo pro acostamento. No banco de trás o bebê dá sinais de vida, fazendo caretas. A criança, de joelhos no banco acompanha tudo com olhares e perguntas. Mãe, a gente é bandido? Não filha, é só a barba do seu pai, que parece de bandido. O guarda leva os dois documentos pra cabine. Ta tudo certo? Por que não nos liberou? Polícia Mineira. É sua barba. Que nada, você que implica! Vou continuar brincando de Tetrix paara por tudo de volta. Quer alguma coisa das malas? Uma fralda. O bebê já faz cara de torção, beicinho, ensaia uma demanda!
Volta o guarda, cara de satisfação. Explica: nosso chefe manda emplacar todos os seus carros com as iniciais dele, que são essas. Conferimos, não é carro roubado. Você tem a habilitação? Claro! Aqui.
As crianças reclamam. Muito tempo parados, já começam a pedição. A habilitação está vencida. Qué isso, seu guarda? Vou pegar esse cara! Seguem os homens pra cabine. Decido: não vou dar de mamar pro bebê, quando ele começar a chorar, você leva ele lá dentro da cabine. Fica segurando, eu não vou pegar no colo, tah? Vou ver o que posso fazer pra sair daqui.
Seu Guarda, estou com duas crianças dentro do carro... A habilitação está vencida. Desde quando? De julho. Seu guarda, o pai estava tão envolvido que não teve tempo nem de fazer xixi. Se quiser fazer xixi o banheiro é ali. Vou pegar de porrada e morder a orelha dele! É hoje que eu entro pra lista de cannibal Killers!
Não se trata disso. O que podemos fazer para seguir? Os guardas se entreolham. Vamos ter que apreender o veículo. O que?! E nós ficamos aqui? E, as crianças? Calma.
Eu posso ir dirigindo. Você tem habilitação? Senhora, por favor. Não estou chamando-o de você. Quero cravar meus dentes na jugular do cara. Qual sua profissão? É agora, bato a cabeça dele no vidro e arranco-lhe as calças pelo pescoço!
Vem a menina com o bebê no colo. Quero fazer xixi. Aqui não! Não tem banheiro de meninas. O bebê estende os braços. Então, vou poder sair dirigindo? Vocês estão indo para onde? Pro sul. A senhora vai dirigir todo o tempo? Sim, adoro dirigir. Deixe eu ver sua habilitação. A senhora dirige há quanto tempo? Vou, definitivamente, pegar o cara, fazer suco dele! Desde que tirei a carteira que está na sua mão.
Ih! As chaves do carro da minha mãe! Eu trouxe a chave do carro da minha mãe! Caraca, tem um telefone? Vou ligar a cobrar e avisar para ela! Ela deve ter uma sobressalente. Claro, no meio das tralhas que ela coleciona há 50 anos! Não vai saber onde está. Ligo, aviso, ela diz para eu ficar tranqüila, não pretende sair de casa. Por que o bebê está chorando, onde vocês estão? Não explico agora. No caminho. Vou trocar o bebê. Dá licença, posso trocar o bebê na sua mesa?
O guarda nos libera. Vou avisar no sistema, hein? A rodoviária vai parar se ele estiver dirigindo e não terá mais jeito, carro detido! Odeio sistemas, quero explodir o sistema! Abaixo o sistema decimal, o binário,o capitalista, o nervoso e o digestivo!
No carro: foi a barba. Nada, puliça mineira. Amanhã você faz essa barba! Depois que a gente tiver mandado a chave da sua mãe.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Isabel Allende
Há alguns escritores cujas obras tu adoras, mas quando os ouves falar, a simpatia diminui sensivelmente? Comigo já aconteceu. Adélia Prado é um exemplo. Eita mulher chata!
Com Isabel Allende foi o contrário - se já gostava do que ela escreve, agora tenho certeza de que bons livros não precisam ser feitos por gente enfadonha e podem - sim - vender muito. Isabel é boa de papo que só. Pude conferir isso na Flip desse ano, que terminou ontem. A chilena tem uma virtude que admiro - a capacidade de fazer piada de si mesma. Em certo momento, Humberto Werneck, que conduzia a conversa, perguntou a ela se algum erro já havia passado despercebido e fora publicado em algum de seus livros: "Sim, sim. Um personagem, que perdeu uma perna em um livro, reapareceu com as duas pernas na obra seguinte. Realmente esqueci que eu tinha lhe cortado uma perna. Um crítico na Espanha disse que era o 'realismo mágico'".
Entre outras coisas, falou sobre o trabalho do escritor, dizendo que não há como ser um apenas escrevendo por hobby. "Certa vez, já depois de ter publicado alguns livros, estava em uma festa e um senhor puxou conversa comigo: 'O que você faz?', 'Sou escritora', 'E o que você escreve?', 'Romances', 'Ah, quando eu me aposentar, vou escrever romances', 'E o senhor? O que faz?', 'Sou dentista', 'Ah, quando eu me aposentar, vou arrancar dentes'. Escrever não é arrancar dentes. Escrever é uma paixão".
E para quem quiser ouvir algo mais sobre paixão, recomendo assistir isso aqui: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/isabel_allende_tells_tales_of_passion.html
sexta-feira, 30 de julho de 2010
perspectivas pro findesemana a várias mões (Valéria , Lídia e Carla)
amigos queridos enchendo aviões;
armários repletos de falta de organizações;
filmes e culinárias de glutões;
casas para passeios, sem colchões;
contagem regressiva para depósito dos patrões.
casais repletos de organizações
amigos enchendo colchões
filmes celebrando aviões
contagem regressiva para passeios com glutões
filme 'filosofando' uniões
casas sem patrões
amigos nas organizações
contagem regressiva para casais nos colchões
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Adjunto(s) Adnominal(is) (?!)
A Alegria da Tiça.
A Altiveza da Pat.
A Coragem da Dani.
A Lealdade de Camila.
A Bondade da Monia.
O Amor de Kátia.
A Cumplicidade de Dayvison.
A Douçura da Drica.
A Companhia da Naná.
A Compaixão de Carmilva.
A Justiça do Armando.
A Franqueza do meu Pai.
A Simpatia de minha Mãe.
A Acidez do Marco.
A Musicalidade da Raquel.
A Transparência do Luís.
A Volúpia da Val.
A Eloquência da Ana.
A Lucidez da Piti.
A Espontaneidade do Lúcio.
A Determinação da Jaana.
A Poesia da Caetana.
A Elegância do Felipe.
A Simplicidade da Silvia.
A Organização da Bianca.
O Romantismo da Mari.
A Serenidade da Milena.
A Criatividade da Mi Fabri.
A Revolução da Raq.
A minha Perseverança.
E as Incertezas de Todos.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
SINA

Desde pequena ela sabia que não ia ficar ali para sempre. Ao ver a mãe agachada na beira do rio, lavando roupa e o pai, bêbado, chumbado da lida na roça - pensava que tinha nascido no século errado, no meio errado - gente grossa, grudada na terra - dizia. O estudo seria sua saída, pensava - não seria escrava. A marca que trazia do acidente com óleo quente na pele lhe informava que ela era uma sobrevivente, uma forte que não seria pega facilmente, poderia seguir até onde quisesse chegar. Quando embarcou para Brasília, com a promessa de um emprego no banco onde os amigos tinham passado num concurso, achou que não ia mais atravessar o rio verde de volta. Realmente, só o fez para enterrar os pais. Na cidade moderna promoveu-se à semi-escrava entre máquinas elétricas. Os salários, insuficientes, a obrigavam a morar em troca dos serviços - que fazia como se estivesse brincando de casinha - nas casas dos outros. De dia, trabalhos com contabilidade (sabia contar bem, crescera contando o tempo de ir-se embora, contando os trocados miúdos economizados para pagar sua alforria da família). De noite cursos, livros e uma cachacinha para aplacar a fome. Foi na faculdade de direito que conheceu o pai do primeiro filho. Professor seduzente, cuja acusação de prostituta não amoleceu o juiz, quando o menino já era mais do que a cara do pai. Difícil negar um DNA,o processo longo serviu para o menino resolver não ser daquela laia. Abandonou Brasília para não ter que abandonar o filho a quem dava tudo o que tinha e mais o que podia buscar com o olhar. O pai do segundo filho a encontrou operária de uma facção, costurando incansavelmente para montar o pequeno capital do seu primeiro negócio próprio. Àquele motorista de caminhão, sem educação, sem jeito para o trato social, nunca precisou pedir pensão, nem ajuda. Ele comparecia todos os meses com quantia suficiente para a comida, a roupa e uns mimos – mesmo ciente que ela crescia nos negócios e, já patroa, fazia até fortuna. Nada fino, era um nobre. Um dia, avisou que não viria mais para os carinhos que a aliviavam da labuta – tinha encontrado o amor de sua vida e estava resolvido a dedicar-se. Ela aceitou. Nunca encontrou seu amor, mas não se negara aos encontros casuais para o sexo. Na beira da cama, recordava-se de tudo isso em flashes preto e branco. Em slow-motion, via-se nos braços do cara da noite passada, no forró, entrando em casa, fazendo amor bruto. Na cômoda o dinheiro deixado por ele, provavelmente antes mesmo do dia amanhecer. Com esse gesto, insinuava o mesmo que o outro a chamara na frente do juiz. Suspirou, levantou-se, penteou-se, maquiou-se, vestiu-se de crepe de seda, abotoou o colar de pérolas em volta do pescoço, vestiu o diamante no dedo anelar, calçou o salto de pelica e saiu, decidida a distribuir uns trocados para os meninos da feira.
terça-feira, 27 de julho de 2010
noite passada
segunda-feira, 26 de julho de 2010
a pública não é privada!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
tatoo do mal!

Enquanto eu penso se faço ou não uma tatuagem, Israel decide libertar mil palestinos em troca de um israelense; o governo federal manda alguns milhões para recuperar cidades devastadas pela inundação no nordeste; a CBF despede o Dunga; o Palmeiras contrata o Felipão; Lou Reed decide não vir mais pra Parati, no FLIP. Mas onde, me pergunto? No Rio de Janeiro mais um menino atingido por bala perdida em sala de aula; no trânsito o que corresponde a um avião de gente morre por acidente; um navio turco de ajuda à Gaza atraca no Egito, uma bomba explode numa mesquita no Irã, jorra óleo em consequência do vazamento de um poço no pacífico, no maior desastre ecológico registrado neste século. E qual seria o motivo? Uma mulher morta por exigir pensão ao famoso goleiro; um cara assassina a mãe porque ela pediu para abaixar o som da tevê e concreta o corpo na parede; alguém compra uma jobulani por 74 milhões de dólares para sua coleção de bolas da copa; um padre é suspenso por pedofilia.
Disco o número do cartão.
- Panda, decidi. Hoje mesmo, pode ser? No ombro esquerdo. Um coração bem fofinho, tipo pêssego maduro, com uma faixa no estilo old school e um punhal cravado com sanguinho na ponta. Dizeres? Ah, sim, você pode escrever: MUNDO CRUEL.
terça-feira, 13 de julho de 2010
vem e vai
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Ainda
'Parodiando' Lidita - "Para o 'eu, hein?'"
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Para o "eu, hein?"
não nasci na bahia. não vim pra brasília porque meu pai era militar. não conheço alguns membros da minha família. não conheço bem alguns membros do meu corpo. não li crime e castigo. não sei dirigir. não corro no eixão. não entro nos eixos. não dou crédito aos problemas. nunca fui a europa. não prendo o nariz pra mergulhar. não falo ‘você’. não gosto de filme de ficção científica. não acho pelé melhor que maradona. não quis ir a disney quando fiz 15 anos. não sou mãe. minha mãe não é a melhor do mundo. nunca atirei em ninguém. não gosto de segurar jornal. não desfilei no sete de setembro. não jogo tênis. não me responsabilizo pelo que digo, nem pelo que dizem de mim. não sei diferenciar chapinha de alisamento. não pinto as unhas. não tenho unhas. nunca ganhei prêmio nenhum. não quero rir do que ninguém ri. não faço teatro. não comparo preços. não ponho preço em ninguém. não gosto que estranhos me cutuquem enquanto falam comigo. não fui cara-pintada. não seqüestrei embaixador. não me lembro da morte do tancredo. não como rúcula nem sob tortura. nunca pedi um autógrafo. não sei pra onde estamos indo. não vou sozinha. não rezo pedindo nada. não esqueço cheiros. não perco amigos. não acumulo milhas. não sei como entrar pro guinness. não tenho tatuagem. não acho cool ser triste. não sinto saudades do que não vivi. não descobri o que o mundo quer de mim. nunca encontrei nicolas behr numa esquina de brasília.
- parodiando "POETA MARGINAL? EU, HEIN? " de Nicolas Behr
terça-feira, 29 de junho de 2010
1ª pessoa
O cara fez cara de que entendeu, com todas as letras.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Maudernidades
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Pesadelos
Da série Confissões
Normalmente, não sonho. Dizem que se sonha todos os dias, mas nem sempre restam lembranças. Não sei. Acho que sonho pouco. Dos sonhos bonitos, lembro alguns. Há os emocionantes, também. O que não esqueço são os pesadelos. Por que é que a gente tem de lembrar mais o que é ruim?
Com o trânsito, por exemplo, tenho pesadelos constantes. Vejo-me dirigindo, agarrada ao volante, perseguida por outros carros em alta velocidade. Só sei que tenho de pisar fundo e fugir. Parece aquele jogo de videogame que simula uma pista de corrida. Tenho horror àquilo, não jogo nem sob tortura. Acordo assustada e, de vez em quando, tenho a mesma sensação quando estou na rua de verdade.
Outro pesadelo é acordar no meio da noite achando que estou deitada em água. Desperto apalpando o colchão. Comecei a ter esse sonho desde que me mudei para Natal. Talvez porque nunca tenha visto tanta umidade na minha vida. Sou bicho de cerrado, terra seca. O inverno aqui é de chuva por três ou quatro meses. Então, às vezes tenho esse sonho: estou de novo no porão da Polícia Federal, onde fiquei presa por 24 horas, numa cela com uma cama de alvenaria, contígua à parede e pintada com tinta a óleo.
Sem cobertura, colchonete ou manta, era fria como o diabo. Com o chão inundado, o que esfriava ainda mais o ambiente, passei a noite sobre a tal cama de tijolo, acocorada, com medo de pôr os pés no chão por conta dos insetos que infestavam o local. Pois eu acordo com a impressão de que estou naquela celinha alagada. Tenho de tatear ao redor até perceber que estou na minha cama, seca e limpa.
Mas o pior de todos os sonhos é com insetos. Especificamente baratas. Tenho fobia a esse bicho. Aliás, horror a qualquer bicho, mas essa coisa pré-histórica é de arrepiar, de se jogar pela janela. Por conta desse maldito animal, nem consegui ler direito A Metamorfose, do Kafka. Eu começava a leitura e tinha engulhos, foi uma dificuldade. Nos meus pesadelos, vou à cozinha ou a outro cômodo da casa e encontro uma barata imensa. E ela, parada, começa a crescer até ficar do tamanho de um urso. É de acordar gritando.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Boa e má novas,
Má: maíssima pra mim, morreu Ronnie James Dio. Lídia, Carlinha lá dos confins, entendem? Caetana, mais uma vez?
Aproveito pra provocar: como vão seus ídolos? Anas Claudias fora, quem/quais são seus ídolos?
PS: EU TENHO A SENHAAAAAAAA!
(Rinoceros, ontem)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Pisando nos próprios calcanhares
quarta-feira, 24 de março de 2010
Não sei dizer quando foi que a menina me apareceu. No abacateiro que vejo da minha janela, ela ficava pendurada. As pernas balançando, os olhos pra lá e pra cá, o sorriso aberto. Eu tentava imaginar o que ela imaginava, tentava adivinhar o que fazia seu sorriso se abrir. Tão grande. Mas ela não respondia o que eu não perguntava.Quando ela sumia, alguma coisa ficava na minha janela. Uma foto. Uma flor. Uma faca suja de cobertura de bolo. Eu não me incomodava de limpar, de guardar as coisas. O que me incomodava era não tê-la por perto, não ver os abacates escapando de suas mãos, não registrar o seu riso pra poder levar comigo em mais um dia.
A menina era uma lembrança, uma conquista, uma página virada e um desafio. A menina era a menina e era eu. Não sei dizer quando desapareci.
