quarta-feira, 6 de maio de 2009

Você já foi ao Acre hoje?

Acre, segundo a Desciclopédia:

"¿Tienes trueco pra una nuetita de dez?"
Diplomata boliviano, concluindo a negociação da transferência do território acreano para o Brasil
"Xi, acabou o troco... O senhor aceita bala de goma?"
Diplomata brasileiro, usando pesadas táticas de negociação

"Você quis dizer: Terra do Nunca"
Google Earth sobre Acre

"Você quis dizer: Nada"
Google sobre Acre

"Isso non ecziste!!!"
Padre Quevedo sobre o Acre

"404 Not Found"
Internet Explorer sobre Acre

"Lembrei do local onde perdi os minhas botas..."
Judas sobre Acre

"Fronteiras do Acre: El Dorado ao norte, Atlântida a oeste, Sodoma e Gomorra ao sul, Camelot a leste."
Atlas Universitário sobre o Acre

"Você traiu o movimento existencialista, véio!"
Dado Dolabella sobre Acre

"Foi lá que eu aprendi portugês!"
Carla Perez sobre Acre

"Acre? Isso é lenda!"
Curupira sobre Acre

"Recebemos mais turistas por ano que eles."
População de Atlântida sobre Acre

"Só acredito vendo!"
São Tomé sobre Acre

quinta-feira, 23 de abril de 2009

meu horóscopo de hoje

Conferindo no horóscopo se posso sair de casa hoje... ele manda eu gravar e publicar um cd, hoje ainda!
Fácil: entro no wikipedia e escolho um artigo aleatório, seu título é o nome da minha banda: Tufão Rammasun; entro no en.wikiquote.org e as últimas palavras são o título do meu album: Not to Bind Them (em inglês é mais chique, bien sür); entro no flckr e escolho uma entre as sete fotos q aparecem na tela: esta é a capa. Pronto: meio caminho andado...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

continua

porque no meio do sonho a gente pegava fogo

porque no meio do incêndio a gente virava filme

porque no meio da história a gente pulava corda

porque no meio do salto a gente inventava regra

porque no meio da ordem a gente cantava distração

porque no meio da noite a gente cantava, inventava regra, pulava corda, virava filme e pegava fogo

porque no meio do sonho

antes do fim da história

com a corda ainda no ar

distraidamente

a gente pegava no sono

quinta-feira, 12 de março de 2009

Por uns cobres a mais

Fumava feito uma chaminé, e os familiares perturbavam-na por conta do hábito. Diziam-lhe que ainda iria morrer por causa do cigarro; era escrava do vício. Não ligava a mínima.

Tinha cinzeiros espalhados pela casa toda. Desses de vidro, que se compram em lojas de quinquilharias. Aos poucos, foram-se todos, quebrados ora numa limpeza, ora num esbarrão, ora por uma visita distraída.

Certo dia, viu-se sem cinzeiros e fez a coisa mais detestável que fazem os fumantes: bateu as cinzas num copinho com água. Enojada, resolveu reabastecer a casa – em cada cômodo, um cinzeiro, pronto.

Foi diretamente a uma loja onde sempre comprava os tais cinzeirinhos vítreos. Não havia, acabaram-se. Toca pra outra. Não temos, disse a vendedora. Está em falta, na terceira. Estranho. Não há cinzeiros nesta cidade?

Decidiu levar uns de cobre; vêm três num saquinho, ainda mais baratos do que os de vidro. Encheu a casa com eles. Sentava-se na sacada do apartamento, diante do mar, e fumava tranquilamente seu cigarrinho.

Alguns dias depois, percebeu que os cinzeiros novos estavam se enegrecendo. Maldita maresia, esqueci-me disso. Foi então que teve a ideia de passar esmalte de unhas nos objetos. Isso vai criar uma película protetora, imaginou. E assim o fez. Logo, todos os recipientes estavam envernizados, secando ao sol. À noite, já estarão bons, calculou.

Fim de jornada, antes de dormir, fumou seu indefectível último cigarro do dia. Apagou-o num dos cinzeirinhos recém-envernizados, mas não de todo. Restou uma brasinha, não percebida, que ficou ali, fumegando, misturando-se ao esmalte e ao zinabre anterior.

Dessa mistura, expeliu-se um gás asfixiante que tomou conta de todo o quarto. Morreu dormindo, sufocada pela fumaça desprendida do cinzeiro. No velório, a irmã lamentava: Não disse que o cigarro ainda a mataria?

sábado, 7 de março de 2009

mania

Esbarrei num sujeito “dazantigas” hoje. Um amigo bizarro que gostava mesmo era de rádio. Quando a Internet ainda era uma idéia, ele achava que só daria certo se a rede transmitisse uma boa rádio, e se fosse via rádio, pois telefone nem chegava a todos os lugares do país. E mais, a Internet era apenas o rádio melhorado, saca um rádio com teclado? Para ele rádio era o veículo de comunicação mais completo. Nossos gravadores National, orgulhosamente portados, por mais que tivessem auto-stop, rewind automático, auto-eject e até pause, não eram nada não fosse pelo rádio. “Tem que tá sintonizado”. Dizia que só via rádio podia-se, por exemplo, efetivamente fazer ensino a distância, o resto era complementação. Inclusive, a escola era complemento do rádio, e não o contrário (rádio como recurso para educação escolar). Assim ele pensava e continuou pensando enquanto os séculos viravam.
O sonho de ter sua própria rádio esbarrou na realidade concreta e se despedaçou em pequenas peças de locução que ele transmitia dentro do próprio carro, seu único veículo ao longo da vida. As transmissões da rádio iniciavam logo cedo, a caminho das escolas das filhas e se estendiam, houvesse ouvintes ou não, durante os curtos trajetos do dia. Aos poucos, suas filhas tiveram programas inteiros para ler o horóscopo ou relatar passeios da escola, as colegas de carona viravam convidadas especiais em programas de entrevistas, e todo mundo entrava na brincadeira. Por fim, a rádio passou a ser transmitida também fora do carro e os “causos” pitorescos se acumulavam, como aquele com o guarda rodoviário que acabou entrevistado ao vivo, em plena blitzen; a gravação da entrevista daquele tio que reaparecera depois de andar sumido por trinta anos e ele só responde puff, nham, ham-ham, mmmmm, ahn! A família se divertia muito mesmo.
Com o tempo, a coisa foi ficando mais profissional, com leitura do prefixo, vinhetas, chamadas da programação, intervalos para ouvir as músicas do cassete player (roadie star, modelo anos 70). Adquirido um microfone caseiro para o “3 em um” da Phillips, já eram até editadas fitas com anúncios, dingles, e seleções musicais! “Sua mãe informa: amanhã será feita des-inse-ti-za-ção TOTAL! Vamos acabar com as baratas! Para seu melhor conforto e saúde! Solicita-se, no entanto, aos proprietários de quartos na casa, que facilitem a entrada dos profissionais recolhendo suas calcinhas do chão!” (segue Michael Jackson: Thriiiiiiiiiiller! ”) “Os famosos Doces da Vovó: hoje, em oferta no Lanche das Cinco” (segue: “Just a Spoon Full o’ Sugar”).
Se não me engano, na nossa última esbarrada a transmissão da rádio já tinha passado a ser contínua, 24 horas no ar. Daí, onde não havia botão de desligar, a pedido do público ouvinte, foi instalado, pelo menos, um botão de controle de volume, acionado por Autocontrole Remoto Ótico: era no olhar das pessoas que ele percebia a hora de baixar o volume, já que não conseguia mais parar de transmitir. Assim, suas locuções tinham virado resmungos e as músicas eram “humminadas” o dia inteiro para os caros ouvintes colegas na empresa de tevê, onde ele sempre foi considerado ótimo técnico, apesar de meio “no ar”.
Acabou que a rádio nunca deu lucro, nem subiu no poste, nem alcançou lugar nos satélites, e não passou do que chamamos de rádio “prosprópriosbotões”. Os poucos de nós que temos antenas para captar essas ondas, quando esbarramos botões nos botões num abraço com esse sujeito, sabendo-nos ao vivo, no ar, transmitimos um alô aos rincões deste planeta mandando um abração pros nossos queridos vivos. Só para terminar, mandamos um beijão pras tias e pros tios. E, manda avisar lá em casa que o pior já passou, estamos bem! As crianças andaram adoentadas, mas era coisa que comeram demais, não é pra preocupar. E, já acabando, tá todo mundo sem férias aqui, este anzim bi zin bi ziiiiiiiiiiiiiiiiin nhoooooooooooooooziiimmmmmmmxxxxxxxxxxxxxxxxxx

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sem um bocado de tristeza não se faz um samba










Eu era uma pessoa feliz. Cantava muito, várias vezes ao dia. Curtia axé, música que me fazia rir, além de dar uma vontade danada de dançar, sair de casa, paquerar. Alegria, letras divertidas, engraçadas, mesmo as de amor, levantam o astral da gente, a vontade é de sorrir sempre. O máximo que se sofre é com alguma baladinha mais romântica da Ivete Sangalo.


Muito feliz, era eu, até o dia em que se mudou uma moradora para o apartamento ao lado do meu. O prédio é pequeno, a gente tem de tomar cuidado com o barulho, quase sempre dá para ouvir o programa de TV ou a música do apê vicinal. Eu escutava meus discos num volume alto, reconheço, todo mundo gosta de axé, não é? Nunca me preocupei porque ninguém reclamava. A vizinha tampouco. Mas, depois de algum tempo, também pôs música a tocar.

Aí começou meu calvário. Ela gosta de MPB das antigas, Bossa Nova, samba, alguma coisa latino-americana, por aí. Um sofrimento sem fim, uma tristeza. Comecei a sofrer com os retirantes nordestinos, um tal de Edu Lobo, borandá que a chuva não chegou, pra acompanhar Asa Branca, do Luiz Gonzaga, um cara que só faz a gente chorar, saudade amarga que nem jiló, o meu remédio é cantar.

Tive de aprender história do Brasil, sofri tanto com a ditadura militar! Ora João Bosco e Aldir Blanc, na voz de Elis Regina, falando de exilados e do irmão do Henfil, ora Geraldo Azevedo cantando a metáfora do regime de exceção. E eu pensava que já vou embora, mas sei que vou voltar, amor, não chora, era só uma música de amor... E o Gil? Ele verteu um reggae jamaicano para o português só para falar dos amigos presos, amigos sumindo assim pela ditadura, ô gente que gosta de cantar desgraça.

Estranho, ela não parece muito triste, a vizinha, uma coroa assanhadinha que usa roupas curtas e coloridas. Mas deve ter a alma em prantos, não é possível alguém ouvir essas coisas e não sofrer. Naquela voz grave e tristíssima da Mercedes Sosa, a Alfonsina se mata no mar, sabe diós que angustia te acompañó, que dolores viejos calló tu voz? Quem é que não se acaba de tanto chorar? Ah, em espanhol, ela também ouve Silvio Rodrigues, o cubano, minha Nossa Senhora da Revolução, quase desidratei de tanto choro com a versão do MPB4, esse amor é tudo quanto tenho e, se eu vendo ou empenho, para que respirar?

A vizinha passou o carnaval ouvindo Nana Caymmi, alguém acredita? Um sofrimento que não acaba mais, sussuarana, meu coração não me engana, vai fazê cinco sumana, tu não vorta nunca mais, junto com a Maria Bethânia, coisa mais dolorosa. Fiquei macambúzio durante toda a folia só ouvindo a baiana cantar boleros.

Por falar em baianos, ai, meu Senhor do Bonfim! Eu achava que a Bahia era só axé. Mas é um desespero, por exemplo, esse Dorival Caymmi, a gente faz o que o coração dita, mas este mundo é feito de maldade e ilusão. Que aperto no peito! Olhe, Caetano Veloso cantando que sobre toda estrada, sobre toda sala, paira, monstruosa, a sombra do ciúme me deixou os olhos úmidos por dois dias seguidos. Almas esticadas no curtume? Valha-me, minha Nossa Senhora da Penha.

Agora, as músicas de Maysa estão de volta ao sucesso, por conta da série de televisão, mas eu conheci aquela pérola de tristeza do Tom Jobim e Aloysio de Oliveira de que ando bebendo demais, que não largo o cigarro e dirijo meu carro com a Ângela Ro Ro. Eita, que até os pops que a vizinha ouve são tristes.

Mas o pior de todos é o tal do Chico Buarque, de quem ela tem mais discos. Com esse cidadão, tive de sofrer com os sem-terra, levantados do chão, como em sonho perder a passada e no oco da terra tombar? Descobri que tem sem-terra até em Portugal, que coisa! Da ditadura brasileira, então, nem é bom falar, é uma verdadeira aula de história e de sofrimento. É o Stuart Angel torturado com fumaça de óleo diesel pra cá, a Zuzu Angel, essa mulher que só queria lembrar o tormento que fez o meu filho suspirar pra lá! E sangue nos olhos e lama nos sapatos é pra se matar, não é?


E o suprassumo da melancolia, saudade do que ainda não se viveu (como é que alguém imagina saudade do futuro, minha gente?). Tive de pegar licença de três dias no trabalho depois de acreditar que o dia vai raiar só porque uma cantiga anunciou: não conseguia parar de chorar!

Não vou nem comentar as músicas de amor, caso contrário, eu ardo de desejo ou perdemos a noção da hora. Começo a me perguntar de que romance antigo me roubaste e penso que na verdade não me queres mais. Não dá, arrasa o meu projeto de vida. É loucura, às vezes, acho que a vizinha perdeu a saia, perdeu o emprego, bebeu veneno e vai morrer de rir.

O Natal, essa mulher passou ouvindo que o Papai Noel morreu. Como é que alguém escuta isso nas festividades? Acho que é a mais triste música de Natal de todos os tempos. Estraga a festa de qualquer cristão. O autor, Assis Valente, matou-se. Não era pra menos. E o Taiguara? Não gosto nem de me lembrar, nesta vida sem amor que eu aprendi... pô!

Sei que os dias têm sido assim, difíceis, desde que a vizinha se mudou para cá. Realmente, eu era feliz e não sabia... acho que já estou ficando paranóico. Mas ouvi uns boatos no corredor e me parece que ela vai-se mudar. Animei-me, penso que poderei novamente ser alegre. Vou chamar os amigos e fazer uma festa. Baixar uma coletânea da Cláudia Leite no mp3 e mandar ver. Sorrir e ser feliz, como antes. Chega de saudade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Não sabia bem o que fazer. Seus pés estavam levemente descontrolados.
Segurou com uma mão, depois com as duas. Seu olhar não se fixava. Ele quis ajudá-la, colocou a mão por cima das dela e disse: é só começar, você vai ver como é fácil... depois não vai mais querer parar. Até acreditava. Quase todas as pessoas que ela conhecia gostavam – por que com ela seria diferente?
Mas havia algo que a incomodava naquele momento. Não sabia bem o que era, talvez fosse o cheiro, um cheiro de novo, talvez a falta de cumplicidade com ele. Perguntou: você já fez isso com muita gente, né? Já, claro. E ninguém desistiu? Não, até hoje não, você vai ser a primeira? Não, não, vamos lá!
Girou a chave na ignição e foi.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

FORÇA DE UM MITO - Marcelo Coelho


Trânsito. Chuvas. Confusão.

O Natal é a festa das crianças.
Para muitos pais, entretanto, é um verdadeiro inferno.

O Volvo de Denise estava parado no Itaim.
Destino: um shopping de altíssimo luxo no Morumbi.
No banco de trás, quatro crianças mostravam péssimo comportamento.

Berros. Manhas. Mordidas.

O belo rosto de Denise tentou inspirar terror.
--Se vocês não pararem, Papai Noel não traz presente.

A advertência foi ignorada pelos pequenos capetas.

Denise ia tomar medidas radicais quando um vulto se aproximou.
Roupa vermelha. Barbas brancas. Um gorro. As crianças ficaram quietas.

--Papai Noel? É você?

Não exatamente. Era o Caçula. Perigoso assaltante em atividade na região.
Na mira do 38, Denise entregou a bolsa, as jóias e a chave do carro.

Denise e os filhos voltaram de ônibus para casa. O maiorzinho já promete.
--Ano que vem a gente se comporta melhor, mamãe. Eu juro.

Mito e realidade, por vezes, são como os adultos. Adotam estranhos disfarces.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

- Então, falei pra ele que a mágica do primeiro dia acabou. E ele: "E o café também. 'Cê vai lá no mercado?"
- Como fazem alguns animais, se mimetizam.
- Ãã?
- É. Pra que os predadores não os vejam.
- Tá dizendo que ele tem medo de mim?
- Tem. Acho que tanto que não fala. Proteção, de novo.
- Aí então faz piada?
- É. Fuga. E sabe do que mais? Não existem comidas azuis porque os seres humanos instintivamente associam essa cor aos venenos - sabia?
- Aããã?
- Ele deve ter ficado com medo dos teus olhos. Medo de se envenenar, de se perder.
- Tá bom, outra hora a gente conversa. 'Cê tá muito científica hoje.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Bukowski

Um poema de amor

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.


todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A caixa

Pararam todas em frente à caixa. Ai, eu acho que a gente não deveria abrir – disse a Gabi, enquanto a Piti e a Mariana dicutiam sobre as cores e os desenhos. É, ela é tão linda... por mim nem precisa abrir – suspirou a Silvinha. Até porque não deve ter nada dentro – argumentou a Caetana – vamos abrir isso aí à toa. Mesmo assim, eu queria abrir, porque só o ato de abrir já é um aprendizado – soltou a Carlinha. É, gente, vamos lá – falou a Raquel, batendo palmas – Coragem! Vai que tem um companheiro aí dentro... foi a sugestão da Ana. Ou um pacote de viagem para todas nós irmos pra Fortaleza?! Viajou a Jaana. Eu acho que tem muita paz, luz e amor aí dentro – viajou mais um pouco a Teliana. Pra mim, se tiver um engradado de cerveja já tá bom – disse a Amanda, mais realista, recebendo os aplausos das que concordaram. A lista foi aumentando: uma queria que tivesse uma cadeira de praia, a outra só dinheiro mesmo – de preferência dólar. Umas pensaram que iria ter um bolo ou outra coisa assim, de comer. Três chutaram que apareceria uma pessoa – Morgan Freeman, Tiririca, Fernando Haddad. E várias outras coisas foram lembradas. Uma bóia, o paradeiro do Elvis, a taça Jules Rimet, meu caderno da primeira série, um carneiro afegão geneticamente modificado, o segredo da skol, um plano de carreira assinado pelo Lula, uma fantasia do Clóvis Bornay, uma árvore de natal, um atendente de telemarketing, a verdade sobre o Mestre dos Magos e o Vingador, uma panela de mandioca cozida, as 'obras completas' do Paulo Coelho... Peraí, peraí, vamos organizar isso aqui – sugeri eu. Que tal uma aposta?? Ninguém aceitou. Então sentaram-se umas em cima, outras em volta da caixa, quando a Milena gritou: Vamos tirar uma foto! Vamos tirar uma foto!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Rapidinha

Sofro tremendamente pra escrever.
Falo constantemente sem pensar.
Ah, se fosse o contrário...

E o amor até existe

Glorinha era uma moça sonhadora que acreditava em contos de fadas, coelhinho da páscoa, papai Noel e no amor. Ela sempre viu nesse sentimento algo infinito e arrebatador, capaz de fazer de nós, seres humanos, pessoas melhores e mais felizes, capazes de perdoar e confiar. Um sentimento puro que traz brilho ao olhar e um largo e verdadeiro sorriso. Sentimento também que nos torna mais bonitos, pois eleva e renova a nossa auto-estima a cada dia.

Ao longo da sua vida, acreditou que pudesse, um dia, encontrar seu príncipe encantado, sua “alma-gêmea”, que estaria vagando por aí à sua procura, feita, para ela, sob medida. Com esse príncipe ela sonhava em se casar, ter dois filhos (Miguel e Luíza) e, como nos clássicos contos de fadas, ser feliz por toda a eternidade.

Infelizmente, Glorinha se enganou. A jovem sonhadora descobriu que tudo isso era fruto de uma educação à base de leituras e filmes fantasiosos, onde, no final, a mocinha encontra no mocinho o seu verdadeiro e grande amor e com ele vive aquele tradicional “e foram felizes para sempre”.

Sua primeira decepção foi ter descoberto que papai Noel não existia. A outra, foi quando viu seu pai colocar o ovo de páscoa embaixo da cama. Mas a maior delas foi quando descobriu que esse amor que tanto buscava não existia. Percebeu que a vida não é um filme, muito menos um livro de contos de fadas. É feita de troca de interesses e amor condicionado, como se amar fosse um favor entre as pessoas.

Se no amor verdadeiro “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”; se o amor de verdade jamais acaba, me desculpe, caro leitor, mas esse amor só existe no futebol. Cheguei à conclusão de que amor puro, pleno, incondicional e eterno é o amor ao time. Por ele sofremos e vertemos até a última gota de lágrima. Há quem fique doente. A cada derrota, a cada gol tomado, a cada “frango engolido”, a cada lance perdido, a cada m... feita em campo xingamos os jogadores, o técnico, o juíz e as respectivas mães. A raiva sobe, a revolta e a vontade de cair na porrada com toda a equipe e com os adversários toma conta.

Mas que raio de amor é esse que só desperta sentimento ruim? - deve estar se perguntando o leitor. Pois eu digo, meu caro, que tudo isso faz parte do amor que, como expliquei anteriormente, é sofredor, em tudo crê (o time está na lanterna e a gente acredita que ainda pode chegar ao G4), suporta a derrota, as goleadas, a traição do técnico que nos deixou para dirigir nosso maior adversário, mas que acabou voltando, tornando-nos campeões, ou, pelo menos, tirando-nos da zona de rebaixamento.

É esse amor que nos faz tolerar e perdoar nosso time derrotado, rebaixado ou vice-campeão (que me perdoem os vascaínos). Basta um gol, uma partidinha ganha (por mais insignificante que ela seja) e pronto: toda a raiva vai embora e dos sofrimentos nos esquecemos. É só felicidade. O técnico passa a ser o grande herói, Obina, o melhor do mundo e ainda se transforma em amuleto (o anjo negro da Gávea). A alegria proporcionada por uma vitória qualquer é muito maior que o sofrimento pela perda da Libertadores.

O mesmo Flamengo, Vasco, Palmeiras, Botafogo, os mesmos Atléticos e tricolores, e tantos outros que nos fazem sofrer, também nos trazem alegrias imensas e intensas, nos deixando eufóricos como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo.

A cada partida, um frio na barriga, as unhas roídas e aquele nervoso, que só quem ama sabe como é. Cada lance, cada gol, cada vitória é um novo brilho que surge no olhar e um novo sorriso. Como diz o chato do Galvão Bueno ( e nesse caso eu vou ter que concordar com ele): “HAJA CORAÇÃO!”

Por nosso time sofremos, choramos, passamos raiva, ficamos doentes. Mas, no final, sempre perdoamos, confiamos e a ele seremos sempre fiéis. Isso sim é amor. O resto é qualquer coisa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Músicas de filmes

Vamos por ordem. A primeira é Misirlou, música grega (!) de 1927 (!) que, em uma de suas versões, toca no começo do já clássico Pulp Fiction (EUA, 1994) com Dick Dale. Depois Linha encantada, com a Comadre Fulozinha, do documentário Fábio Fabuloso (Brasil, 2004), primeiro longa-metragem a contar a história de um surfista brasileiro - e pode acreditar: mesmo quem não gosta e/ou não entende nada de surf acaba adorando o filme. A terceira é Teach your children, de Crosby, Stills, Nash & Young, que faz parte do filme Correndo com tesouras (EUA, 2006) - achei que essa coisa do "inferno dos pais" tem tudo a ver com a história do Augusten Burroughs... O longa é baseado em sua autobiografia.
Seguindo: De Ushuaia a La Quiaca é uma música linda que o argentino Gustavo Santaolalla fez para a trilha de Diários de Motocicleta (vários países, 2004) - toca na última cena do filme. Después temos Whole wide world, com Wreckless Eric, do engraçado Mais estranho que a ficção (EUA, 2006), quando enfim Harold Crick desencalha, ou melhor, é desencalhado por uma padeira sonegadora de impostos.
A sexta música dispensa apresentações: Preciso me encontrar, interpretada por Cartola, toca em Cidade de Deus (Brasil/França, 2002) na cena em que Cabeleira é baleado. Continuando ouvimos He mele no Lilo, musiquinha gostosa (que me deixa alegrinha!) da animação Lilo & Stitch (EUA, 2002). A trilha do filme, além das músicas hawaianas, conta com algumas faixas do Rei do Rock - sim, aquele que não morreu.
I say a little prayer é daquelas músicas que podem fazer um filme valer a pena. Acho que já assisti a'O casamento do meu melhor amigo (EUA, 1997) umas quatro vezes só por causa da cena com aquelas gêmeas bizarras fazendo backing vocal para o amigo gay da Julia Roberts.
A nona música é This time tomorrow, da banda britânica The Kinks, que toca no começo do filme Viagem a Darjeeling (EUA, 2007) quando os personagens de Bill Murray e Adrien Brody estão correndo para pegar um trem na Índia. Um deles não é bem sucedido... mas não vou contar quem - vá assistir, que a viagem é surreal, cômica e muito bonita.
Depois as rebolativas
Lil Kim, Christina Aguilera, Pink e Mya vêm cantando Lady Marmalade, do musical Moulin Rouge! (EUA, 2001), filme que deixou Nicole Kidman com uma costela fraturada e um menisco rompido. Ui.
E, para encerrar, Let's hear it for the boy, interpretada por Deniece Williams (?). Rola no filme Footloose (EUA, 1984) na seqüência em que o personagem do Kevin Bacon está ensinando o amigo tosco (irmão de Sean Penn, Chris, que morreu em 2006) a dançar - e dá uma vontade enorme de sair dançando também. Aliás, não é só nessa cena... Quem tem a minha idade e não dançou Footloose que atire a primeira fita cassete.



sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Receita para comer o homem amado


Pegue o homem que te maltrata, estenda-o sobre a tábua de bife e comece a sová-lo pelas costas. Depois pique bem picadinho e jogue na gordura quente. Acrescente os olhos e a cebola. Mexa devagar até tudo ficar dourado. A língua, cortada em minúsculos pedaços, deve ser colocada em seguida, assim como as mãos, os pés e o cheiro verde. Quando o refogado exalar o odor dos que ardem no inferno, jogue água fervente até amolecer o coração. Empane o pinto no ovo e na farinha de rosca e sirva como aperitivo. Devore tudo com talher de prata, limpe a boca com guardanapo de linho e arrote com vontade, pra que isso não se repita nunca mais.

Ivana Arruda Leite

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nada como uma boa trepada matinal

Deveria estar dormindo, mas o sono não vinha. Ligou o computador, conectou-se à internet e começou a escrever. Era uma maneira de chamar o sono, mas, ao contrário, o sono só se distanciava, e ela pensava só em sacanagem. Entrou em uma dessas comunidades virtuais. Eram comunidades lésbicas com diversos vídeos de meninas transando.
Permitam-me fazer um “à parte”, antes de continuar a história. Ela nunca teve esse tipo de experiência, mas desde adolescente sente tesão ao ver cenas de duas mulheres se pegando. Certa vez ligou a TV. Estava passando um filme em que Angelina Joulie interpretava uma lésbica. A cada cena de sexo, excitava-se, imaginando-se no lugar daquela personagem. Apesar disso, nunca sentira atração por pessoas do mesmo sexo. Mas, ultimamente, embora ainda não sinta atração, sente vontade de ser chupada por uma mulher. Isso se deve à idéia de um velho conhecido, daqueles bem pervertidos e sem limites, que fica enchendo a cabeça dela de idéias deliciosamente “mirabolantes”. Ela sempre resistiu às suas propostas. Mas de uns tempos pra cá, tem sido mais flexível e hoje já pensa na possibilidade de deixar ter uma menina bem gostosinha pagar-lhe um boquete bem gostoso.

Continuando a história...
Enquanto ela via as cenas lésbicas baixadas em uma das comunidades que havia entrado, enchia-se de tesão, chegando até a gozar só de olhar. Começou a conversar com uma das meninas da comunidade. Deliciaram-se, falaram absurdas e maravilhosas sacanagens. Não se agüentava de tanto tesão. Tudo o que queria naquele momento era um sexozinho oral feito por aquela menina do MSN. Mas do que isso, ela queria mesmo era um pau bem duro e gostoso entrando na sua buceta. Teve, então a idéia de ligar para o tal conhecido, com quem já havia dado umas trepadas gostosas.
Pegou o celular e enviou-lhe uma mensagem bem sacana. Logo em seguida, ele a telefonou e, pouco tempo depois, bate à sua porta. Ela o recebeu com uma camisolinha branca e os dois se beijaram loucamente ali mesmo, na sala, com a porta aberta. Ele a jogou no chão com uma fome animalesca e arregaçou-lhe a xota. Ela gritava, desesperadamente, de prazer. Gozou uma, duas, três... diversas vezes. Eles Transaram como dois animais selvagens.
Depois de horas de prazer, pegaram no sono e, de manhã, ele a acordou da maneira mais gostosa que uma mulher pode ser acordada: uma bela trepada matinal.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PROMOÇÃO DE VERÃO!


Venha para a Pousada Ana Cródia* e ganhe um delicioso almoço!

Peixe à Cródia:
Temperadas com limão, sal e alho, deitadas a marinar e regadas com azeite, são as postas de peixe levadas ao forno. Enquanto assam, cozinha-se alcaparra, cenoura e chuchu, somente com sal. Os legumes, cortados em filetes e refogados em manteiga, são jogados sobre o peixe assado. Acompanha arroz branco.

Experimente essa delícia!

Incluídos no pacote: traslado, espetinho de camarão na sacada e a agradabilíssima companhia da dona da pousada.

*Em breve, fotos da pousada e de sua bela proprietária.