*no quintal de casa cada um faz o que quer. porque esse quintal é grande, do tamanho que a gente fizer. uma rede pra se balançar e balançar os pensamentos ele tem. tem um pé de limão, uma goiabeira, uma porção de plantas e flores e uns cachorros pra bagunçar o coreto. criança e adulto querendo ouvir história também sempre aparecem. e a gente conta. histórias de quintal. *
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
criança diz coisas...
- Fresco é quando vem em galhos, como se tivesse sido colhido naquela hora.
Beleza, todos foram escrever na lista o item que escolheram para trazer no dia seguinte. Até que alguém se lembrou de abrir a porta para amenizar o calor e entrou uma brisa. Aí Diana disparou:
- Ah, que bom esse vento entrando assim em galhos, né Michelle?
anatômicos
encontra-se repousando no buraco do meu ouvido
um sussuro antes pelas ruas e dias perseguido
Atenção:
saiu sózinha
pela esquina do meu olho
uma vista
sedutora
domingo, 30 de setembro de 2007
sábado, 29 de setembro de 2007
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
ahá!
AFRODISÍACOS - ORIGEM
Derivado do grego aphrodisiakós, o termo “afrodisíaco” data de aproximadamente 5.000 anos e provém do nome Afrodite – a deusa do amor e da beleza na mitologia grega – também conhecida por Vênus, (em latim) filha de Zeus e Dione. De acordo com o mito, Afrodite nasceu na concha de uma ostra quando Cronos matou e castrou seu pai, jogando os testículos no oceano.
Eram conhecidos na Antigüidade, nas culturas egípcia, grega e romana. As referências revelam que o mais antigo afrodisíaco era um pó de pênis de crocodilo seco, recomendado pelos egípcios.
Os afrodisíacos são drogas, substâncias químicas ou odores aos quais é atribuída a ação de aumentar o desejo e manter a excitação sexual em homens e mulheres. Não há fundamentação científica quanto à eficácia da maioria das substâncias afrodisíacas na resposta sexual adequada dos indivíduos. O que se conhece até o momento é que algumas substâncias agem sobre os sistemas nervoso central e circulatório e que podem resultar, como efeito secundário, na melhoria do desempenho sexual. Há substâncias, porém, que causam efeitos danosos ao organismo como a cantárida ou "mosca espanhola", um besouro do qual se faz um pó, que provoca irritação urogenital associada a maior afluxo de sangue no pênis, levando o usuário a ter sensação de maior tempo de ereção..
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
E se eu tivesse
A sensualidade da Valéria
A vivacidade da Lídia
A exuberância da Raquel
A inteligência da Piti
A alegria da Jaana
A meiguice da Silvinha
O charme da Gabi
O dengo da Teli
O sorriso da Carla
A sofisticação da Caetana
A doçura da Milena
O marotismo da outra Milena?
Seria uma mulher perfeita.
Imodesta, tenho um pouco de cada
Minhas mulheres de Brasília
Porque roubei
E vou levar comigo para sempre
(E tudo isso têm todas elas)
Dedicado a Luís, Marco, Felipe, Lúcio, Públio, Alex e Amauri, meus homens de Brasília.
domingo, 23 de setembro de 2007
Trovas da menina
e essa segunda natureza, a externa, moldou meu sentir
que se fez de flores tímidas, solitárias, escondidas no capim rasteiro.
De árvores baixas e retorcidas, de casca grossa, rude, de folhas ásperas
maltratadas pela poeira e calor violento.
De céu azul e luz intensa de um horizonte profundo.
De cascalho grosseiro e terra vermelha.
Metade seca, em tristes cinzas e ocres.
Metade águas, em alegrias tímidas dos muitos verdes.
Meu sentir frágil tona-se deserto pelo descuido.
Esvaziado de suas matas, riachos e campos,
torna-se árido,
torna-se pó que o vento espalha.
Partículas de saudade de um amor a nascer.
Minha alma de criança
Já do corredor
é possível ver a cama,
mas antes disso
o imenso sorriso da boneca.
Sorriso em arco.
Ocupando quase toda a cara redonda.
E do corredor nasce outro sorriso
em arco,
ocupando a curvatura da Terra.
No final do arco tem um tesouro
de coisas simples que enternecem a vida.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
fantasias kishes de uma lolita ucraniana: la nouveau ophelia
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
La Edad del Cielo

La edad del cielo - Jorge Drexler
(Para David Broza)
No somos mas
Que una gota de luz,
una estrella fugaz,
una chispa, tan sólo,
en la edad del cielo.
No somos lo
que quisieramos ser,
solo un breve latir
en un silencio antiguo
con la edad del cielo.
Calma, todo está en calma,
deja que el beso dure,
deja que el tiempo cure,
deja que el alma
tenga la misma edad
que la edad del cielo...
No somos más
que un puñado de mar,
una broma de Dios,
un capricho del sol
del jardin del cielo.
No damos pie
entre tanto tic tac,
entre tanto Big Bang,
sólo un grano de sal
en el mar del cielo.
Calma,
todo está en calma,
deja que el beso dure,
deja que el tiempo cure,
deja que el alma
tenga la misma edad
que la edad del cielo...
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
São várias coisas
Aqui só temos os escolhidos, os indesejados tiveram seus dejetos recolhidos.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Aurora
As pessoas da região não compreendiam exatamente qual sua nacionalidade e diziam que ele era “inglês-escocês”, sem saber explicar muito bem o que era isso. As fotos que os familiares herdaram mostravam um homem muito claro, loiro, de olhos azuis. Pelo sobrenome, Estelharde, trocando o lh por ll, podia ser catalão, mas, àquela época, não se podia fiar na origem dos nomes. A esposa, paraguaia, Dona Petrona, tez morena, olhos escuros, o cabelo preto muito liso, sempre arrumado num coque baixo.
Alguns meses depois da visita, num amanhecer de 1900, nascia Aurora. Tinha a pele e os olhos claros do pai; os cabelos lisos da mãe. Já na adolescência se mostrava alta, esguia, de uma languidez típica das meninas da época. As fotos que restaram revelavam uma moça frágil, de semblante cansado. Ou era o modo de retratar gente naquele tempo.
Aurora chegou a conhecer ex-escravos, imagine, dizia ela, naquele fim de mundo de meu deus, aquela fazenda perdida no meio do nada, no meio do mato, tinha coisa que até deus duvida. Seu Estelharde morrera numa emboscada por conta de briga de terra, quando ela estava apenas com um ano. Foi a única filha do casal.
Dona Petrona casou-se novamente, desta vez com um paraguaio, e teve outros filhos. O paraguaio gostava de jogo. Perdeu todos os bens do inglês, contava Aurora. A família ficou pobre, sobraram a sede da fazenda, fama e pose de fazendeiros. Aurora, rejeitada pelo padrasto, maltratada pela mãe, que a colocava sobre um formigueiro quando, bebê, sujava fraldas. Aurora apanhou durante toda a infância. Por sujar uma roupa, por quebrar algum objeto. Aurora não foi à escola, Aurora era analfabeta.
Jovem, passava e engomava a roupa de baile das irmãs. Aurora, nome de princesa nos contos de fada, não podia ir. Passava um, às vezes, dois dias inteiros na arrumação das vestes das outras. O padrasto não gostava dela, era branca e “mole” demais, como ele dizia. “Filha do gringo”. Era mais velha, tinha de cuidar dos afazeres domésticos e dos meninos menores, baile não. Aurora olhava, admirada, as moças mais novas, morenas como a mãe e lindas nos vestidos bonitos, saírem para as festas do povoado.
Aurora lavava as roupas da família no rio. Seguia para o curso d’água que havia nos fundos da sede da fazenda com trouxas, bacias, sabão de cinza. Ensaboava a roupa, batia-a nas pedras. Enxaguava na água limpa e fresca naquelas tardes tão quentes de verão mato-grossense. Pra lá do rio, homens trabalhavam. Lavradores pobres da região, empregados de algum fazendeiro. De longe, o moço bonito olhava Aurora. Ela não sabia seu nome, era mais um deles. Estava sempre sujo de terra, mas os olhos castanhos “cor de mel”, como lembrava Aurora, brilhavam quando o sol batia mais forte.
Às vezes, aparecia na fazenda um mascate, o turco, trazendo coisas lindas de moça ver. Colares de vidro, tecidos bordados, seda, seda de verdade. E as rendas? Ele tinha perfumes, pó-de-arroz e carmim. O turco, na verdade um sírio muçulmano de nome esquisito, era baixo, moreno, tinha grossos bigodes pretos. Para fazer os papéis da imigração, havia trocado Hammer Mahmud Farrah por José Pedro Salomão. Encantou-se com Aurora. Moça bonita. Dona Petrona ficou contente. Queria porque queria casar Aurora com o turco. Até que enfim essa menina vai servir para alguma coisa. Pelo menos vai-se casar com homem que pode dar vida boa a ela.
Mas Aurora nem via o turco. Ia para o rio feliz, a roupa ficava mais limpa, mais fresca, mesmo no calor. O moço bonito sempre olhando, Aurora um dia arriscou um sorriso. Moço respondeu. A irmã mais nova percebeu os olhares, correu pra mãe e contou que Aurora olhava e sorria. Aurora levou bronca, foi proibida de ir ao rio. Ficar sem carregar a trouxa, ensaboar, bater e enxaguar a roupa não era um prêmio. Castigo de não ver o moço.
E o turco aparecia, com fazendas umas mais bonitas do que as outras. Cada renda linda. Cada perfume cheiroso. A maleta de couro escovado, limpinha, sempre cheia de novidades. O turco arrumado num terno escuro, elegante, o bigode lustroso. Eita, até que esse turco fica bonito, assim todo almofadinha, dizia Dona Petrona. Essa menina tem sorte, o turco está alinhado.
Depois de alguns dias, Aurora pôde voltar ao rio. Do outro lado, o moço lá, trabalhando, as roupas maltrapilhas, as mãos grossas e sujas como sempre. Os olhos cor de mel logo perceberam Aurora. Moço, esperando um afastamento da irmã, ousado, chegou perto de Aurora. Vamos fugir, Aurora. Vamos pra cidade bonita, eu e você, amanhã cedo. Foge comigo, Aurora.
À noite, Aurora em casa, Dona Petrona e as irmãs incentivavam. Aurora, casa com o turco. Aurora sabia que lá no campo o moço se preparava para a viagem. Aurora sonhou com a cidade, com o moço. Aurora não dormiu direito. Você vai ter vestidos lindos, tão coloridos, Aurora. Vai ser a moça mais cheirosa das redondezas. Seu padrasto já está tratando do casamento com o turco, Aurora.
Aurora não teve coragem. No dia seguinte, Aurora se levantou como todas as manhãs. No rio, enquanto batia roupa nas pedras, seus olhos azuis procuravam entre os homens do campo a cor de mel dos olhos do moço bonito. Não estava mais lá.
O rapaz nunca mais voltou. De que adiantava se voltasse? Não tinha nem nome. Muitos anos depois, segunda metade do século XX, numa tarde quente de Campo Grande, o pequeno povoado já transformado em cidade, Aurora Estelharde Salomão contava o episódio à neta, uma gordinha metida, de cabelo espaventado. A menina prometeu: Voróra, um dia vou escrever a história do moço bonito, pra todo mundo saber a belezura daqueles olhos castanhos. Aurora riu.
Da série “Mulheres da minha vida”, que ainda não escrevi, também conhecida como “A paladina* do feminismo e sua luta contra o monstro do mito do amor romântico, round perdido nº 1”.
* Vocês sabem que essa flexão de gênero não é registrada?Ah, Saramago, obrigada por me lembrar de que "essas palavras não tinham feminino em hebraico..."
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
conselho fútil de uma mãe inútil
O sol tem cheirinho de mamãe.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Teremos repeteco em 2007?

Depois do World Jump Day, inventaram, no ano passado, o Global Orgasm. Não é incrível a capacidade que a gente tem de desenvolver bobagens? Um dia cheio de orgasmos, globalmente falando, e o mundo não será o mesmo. Vejam o que disse o mentor da idéia, Paul Refell:
"A idéia é que, dia 22 de Dezembro, seja criada a maior onda de energia humana de sempre. Para tal, um elevado número de pessoas deverá ter relações sexuais, originando um orgasmo em simultâneo. Nessa altura, os pensamentos e toda a energia devem ser canalizados num único sentido: a paz mundial e o fim dos vários tipos de violência".
O cara afirmou que o objetivo "é transformar a energia sexual das pessoas em algo mais positivo" - Agora, imaginem... o cidadão está lá gozando e começa a pensar na guerra do Iraque, no Bush, no Bin Laden, no Sadam Hussein (ah, não, esse já foi), nas armas atômicas dos EUA e da Coréia do Norte, no crime organizado do Rio de Janeiro, no crime organizado de Brasília, em aviões explodindo, em ônibus incendiados... Positivo pro mundo, né? Porque pro cidadão vai ser um trauma. Ui, declinei.
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